
Hoje acordei, fulminada com a noção de que, o meu Jacob, o meu querido Jacob, aquele amigo que nunca me magoaria, fez algo partir-se dentro de mim, que pesadelo mais horrendo… Uff levantei-me e fui tomar banho, liguei o telemóvel há espera de uma mensagem de bom dia, como habitualmente do meu querido Jacob, mas estranhamente hoje não havia maneira de me mandar nada… coloquei as mãos trémulas sobre a mesa, sem compreender a razão de tal, e enquanto olhava para o colar que ele havia me oferecido no seu próprio aniversário, os olhos inundaram-se de lágrimas. Porquê? Que raio se passa? Estarei doente? Deve ser do pesadelo, não tarda o Jacob irá me ligar com a sua mais recente paranóia, ou contar-me noticias mirabolantes que me farão rir, como de costume, e eu, para fazer conversa, irei contar o meu estúpido sonho, aquele em que ele aparece como um fantasma na minha escola, com uma cobardia tal no rosto, incapaz de me olhar nos olhos, e em meias palavras me diz o que eu não quero ouvir.
Tirar-me o direito de contar a Edward o que sinto por ele, desferir tamanho golpe na nossa amizade, depois de lhe ter pedido tanto para não falar com ele a esse respeito?
Não, o meu Jacob não faria isso, jamais faria isso, ele não me quer magoar, é o meu porto seguro, um dos meus melhores amigos, que tudo faria para me ver sorrir. Mas no sonho fez. Peço desculpa, mas pela dureza da dor custa-me a lembrar as palavras exactas, a pessoa que contava nunca me magoar, nunca me trair, nunca jamais partir este coração mais que partido, quebrado e fracturado…
Edward partiu e repartiu cada fragmento do meu peito, e eu deixei, porque o amo, da maneira mais estúpida e complicada, contra a minha própria contade, mas já estou habituada, a cada sorriso que me dá, conto com um punhal nas costas no minuto a seguir, e as lágrimas há muito que se habituaram a esta rotina. Mas o Jacob? Não, não o amo da mesma maneira que o Edward, vejo-o como um irmão, daquele tipo de pessoas que precisa de protecção, e de conselhos para se emendar dos erros cometidos. Lacerou-me as profundezas, com a sua declaração de amor, não contava. Inocente dizem uns, eu chamo-lhe confiança, pois confiava nele cegamente.
Aí, como dói, utilizar o pretérito com o meu querido Jacob, como me fere saber que está a sofrer, mas… e eu? Não interessa, não quero saber, “primeiro estão os outros” dizia eu há algum tempo atrás, mas o Jacob ensinou-me a olhar para mim primeiro, e só depois para os outros.
Mas espera, foi tudo um pesadelo certo? Nada disto é real, amanha se calhar vai aparecer na escola com alguma surpresa, para variar. Se tudo é um pesadelo, porque é que as lágrimas teimam em jorrar nestas faces magoadas, porque tremem as mãos, porque me dói algo que não é físico ou tocável, porque?
Porque não foi um sonho.
Tu tiveste lá.
Falaste com quem falaste.
Disseste o que disseste.
E magoaste-me.
Muito.
Sinceramente? Quase que perdi a confiança em ti, e eu que pensava que isso era impossível.
O que me atormenta mais, é a possibilidade do que teres feito se reja (no teu mais profundo inconsciente) por motivos pessoais (como um alvo a abater) e não tanto como a minha felicidade alcançar. Será que não percebes? O Edward tem a Tanya, que é perfeita para ele, e que pouco ou muito gosta dela.
Quem? No seu perfeito juízo, tendo uma namorada, irá dizer a um o individuo que mal conhece que está apaixonado por outra, quem? Será que paraste para pensar nas consequências?
Escolheste mal a altura, o momento, e pior de tudo, não me consultaste, estou zangada, mas acima de tudo desiludida, porque te pedi para não o fazeres.
É como ter a certeza que aquela coisa é tão certa, e que embora milhares de pessoas nos digam o contrário não conseguimos duvidar, e depois estraga-se tudo. Ficamos sem nada a que nos agarrar, nem um bocado de madeira flutuante há, no meio do mar de conjecturas.
Sim, acordei e percebi, não foi um pesadelo, apenas uma realidade escabrosa, meticulosa mas acima de tudo, fria.
Não sei se te irei perdoar, só o tempo o dirá.
Mas como sempre te disse, “A esperança é a ultima a morrer”.
Bella S.