domingo, 21 de novembro de 2010

O complicado sentimento

E se entre o pestanejar de uma pomba branca,
Visses a terra e o mar.
Sem querer olhar para dentro dela,
Apreendesses a amar.
Maldição apaixonada,
Incongruências do coração.
Um cheiro a nada
E um sabor a paixão.
Num olhar sedutor,
Um sentimento de ardor,
No peito um calor,
Diz-me se isso não é amor.
Não saber o teor,
É algo frustrante e constrangedor,
O ler o sentimento,
Com demasiado encantamento.
Por vezes causa dor e sofrimento.
E de sofrer ando eu farta.
É com ler, sem perceber nada.
Patifaria do destino,
Que engalhofou comigo.
Incompreendida a rendição,
Deste temeroso amar,
É dada sem razão,
Ao atordoado olhar.
Assim se encaixilha o espectáculo da vida,
Que sozinho desatina,
Na esquecida fantasia.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O meu Mundo


Vem… Hoje quero-te mostrar o meu Mundo, lá não há horários, limites, regras, tristezas ou fraquezas, lágrimas, irritação, não existe medo. Vem… que eu ensino-te a voar, segura a minha mão e não te irás perder. Fecha os olhos, respira fundo, mas devagar, vem comigo á terra do nunca ou de sempre. Sem que o teu coração desabroche, deixa-te levar e acredita na vida. Descobre que a felicidade não se encontra em atingir os objectivos, mas no longo caminho que percorres para lá chegar… No meu Mundo uma melodia preenche o ar, é discreta mas alegre, o mar é a minha cama, as rosas a minha almofada e o vento, o meu cobertor. Está sempre sol, sendo este, por vezes substituído por um véu de estrelas com um diamante ao centro, que muitos apelidam de lua. Sou livre, calorosa e feliz, sou em própria sem me conter ou me preocupar com o que quer que seja, canto apenas porque me apetece, e os objectos ao meu redor não se queixam da minha voz, danço descalça sobre a relva macia, ou sobre a areia suave, rodopiando com um sorriso inocente na face. O vento brinca com o meu vestido branco e atira-me o cabelo contra a cara, fazendo cócegas. A água banha-me os pés, parecendo que os beija delicadamente, e quando mergulha nela observo a transparência desta, límpida e pura, ingénua e inocente. Pareço uma criança feliz, constantemente a sorrir e a rir. Corro para o baloiço e mais uma vez sinto o vento acariciar a minha pele, balançando-me de um lado para o outro, sem parar, até que o sono me assalta, roubando-me a consciência e mergulhando na inconsciência… hoje apeteceu-me revelar-te o meu Mundo. Espero que tenhas gostado.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Confusão de palavras

Há pensamentos que por mais importância que lhe dermos nunca, jamais, em momento algum o diremos a pessoa em questão. A filosofia da vida é algo que não pretendo apreender, dá muito trabalho e demais a mais, prefiro eu própria escrever a minha lógica baralhada, a seguir abençoados passos de alguém que nunca chegou a ser perfeito. Peço desculpa pelo absurdo da frase mas a conjectura do segredo assim me obriga, e o descaramento que contenho em défice é demais abstracto para a compreensão total do raciocínio.


Todos os dias impingi-nos de regras implícitas, na maneira como vivemos. Somos obrigados a seguir regras que de tão habituados que estamos nem damos conta, no que comemos, no que dizemos, no que vestimos… A quantidade, o preço, a qualidade, foram tudo coisas inventadas pelo homem, para nos facilitar a vida dizem uns, eu cá não sei, há coisas que apenas servem para complicar, pois o ser humano é um ser complexo, e muito inteligente, aliás, super inteligente, por alguma razão temos o planeta em tão bom estado, a riqueza tão bem distribuída assim como os alimentos, a economia mundial encontra-se bastante solidificada e dá-se mais importância ao tráfego, na construção da terceira ponte, do que aquela noticia sem ênfase algum sobre o pequena subida de 5mil pedidos de refeições para 62MIL PEDIDOS, nem sei porque estou a gastar espaço do meu texto com esta noticia… é muito mais importante saber-se quantos frangos foram atirados ao Roberto.

E no fim disto tudo vêm com uma falsa máscara cantar ao palco sem luzes (ou com luzes a mais) da chamada TV, declarar seus inúmeros feitos, (em sua actual residência) que foram imensos, chegando até para encher uma mão de nada e outra de coisa nenhuma, orgulho da nação. Perdão, percalço meu, esqueci-me de referir as contas nos paraísos fiscais, que são sem dúvida uma demonstração de confiança na actividade bancária do nosso país. Patriotismo extaseante.

Sendo eu inocente nestas andanças pergunto de forma directa, se possível, o porque de tantos segredos na divulgação de assuntos importantes á sociedade? Ninguém vos pediu para se candidatarem, mas ao candidatarem tenham algum respeito por quem erradamente vos escolheu, devem o vosso salário e as viagens a borla e roupa grátis, e os almoços a borlix e os jantares a pala, e as festas a calote. Por isso, se não for pedir muito vejam lá se fazem algo de bom por nós, meras mulas de trabalho escravo e mal pago.