Ao fim de 4 horas seguidas a jogar basket, naquele campo improvisado a beira-rio, deito-me sobre o chão composto por uma mistura de terra e areia e observo o céu. Sinto-me cansada mas contente, não por ter ganho ou perdido, apenas porque sim. Olho o céu, não sei quanto tempo passou, apenas me apercebi que passou pela mudança das nuvens, o azul claro fora substituído por um cinzento-escuro, a primeira gota cai-me nos lábios, como se me quisesse beijar, a segunda na face como que me pedindo desculpa por ser tão indiscreta, a terceira na ponta do nariz, a quarta e a quinta caiem em simultâneo, uma na testa, em sinal de respeito e a outra na palma da mão como que me acordando, os meus amigos correm para se abrigar, chamam por mim mas eu não quero parar esta sensação e digo que já os apanho. A chuva intensifica-se e eu começo a rir, não porque a insanidade me apanhou nas malhas da loucura, mas porque o meu corpo precisa de rir para compensar tantas lágrimas. Neste Mundo os motivos para sorrir são tão poucos ou a importância dada a esses motivos é tão fraca que senti essa necessidade. Ninguém se lembra mas um sorriso é uma arma tão poderosa como a bomba nuclear, exagero meu talvez, mas se todos sorríssemos mais, a vida decorreria de certa forma mais leve e solta, as preocupações aos poucos desapareciam, sendo substituídos por um novo fôlego de confiança e segurança em si próprios. O medo fugiria da verdade, e a mentira alcançaria os falsos testemunhos. Em compensação a mentira não iria ser crucificada, pois sem ela não se diferencia a verdade.
O mundo deixou de ser simples a partir do momento em que o homem fez frente á Natureza, a ordem natural das coisas foi alterada e o planeta cedeu e ficou fragilizado. Mas prefiro não pensar nisso, é demasiado cansativo e o peso sobre as costas aumenta colossalmente. Prefiro antes apreciar o que me rodeia, o cheiro da maresia, as ondas a bater nos barcos que se encontram na margem, e a chuva que me ensopa o cabelo e me cola a roupa ao corpo de forma inocente. Como é agradável fugir dos pensamentos negativos por uma vez que seja, sem receio das consequências. A água acumula-se na minha face, deslizando para os lados, as gotas que caiem a minha volta formam uma das mais belas melodias do mundo ao tocar o chão, apenas com um único instrumento, mas tantos sons diferentes são produzidos no mesmo instante, o som intensifica-se e a sensação faz-lhe companhia nesta demanda crescente. Uma voz masculina ouve-se ao fundo, um sorriso inexplicável surge no meu rosto, mal se percebe as palavras que ele diz mas isso não impede o absurdo sorriso de orelha a orelha que apresento naquele exacto momento, e o meu consciente não compreende a reacção do meu corpo, a voz aproxima-se, está a chamar por mim, mas não entendo, outros já me haviam chamado, porque é que com esta voz é diferente? Porque é que o meu ritmo cardíaco aumentou de forma perceptível? Porque é que sorrio cada vez mais á medida que ele se aproxima? Porque? O consciente atinge o conhecimento que o meu inconsciente já sabia desde do princípio, eu conheço aquela voz, pertence ao homem mais importante na minha vida, ao que me faz sorrir todos os dias, que me ama pelo que sou, sendo incapaz de me etiquetar como outros já fizeram. A compreensão ilumina-me o olhar e sou feliz naquele exacto momento. Aproxima-se de mim, toca-me na mão e ajuda-me a levantar, beija-me da maneira mais doce possível e abraça-me carinhosamente, e sem grandes rodeios profere as seguintes palavras “Vamos para casa amor”.
Nesse mesmo instante, não tenho medo do futuro, não receio que o Mundo se abata sobre mim, não estou sozinha, e isso é o mais importante de tudo.
Amo-te
Obrigado por existires.
Escrevo pensamentos, ambições e desejos... Falo de mim, do estado do Mundo, da caracterização do subconsciente de cada um, que se encontra no oposto do senso comum. Tenho uma visão ligeiramente diferente do geral e é isso que me caracteriza.
sexta-feira, 4 de março de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
Saudade da infância
A estupidez apanha-nos desprevenidos sem aviso prévio ou sem um requerimento devidamente registado, relativo á parvoíce extrema. Coisas estranhas e no mínimo ridículas preenchem-nos a mente, apenas para nos tirar o sono á noite. A insegurança acumula-se de forma desajeitada ao singular, e a capacidade apreciativa degenera-se com o passar dos tempos. A criança dentro de nós reaparece apenas para se rir e mostrar que, quando somos pequenos as coisas são bem mais simples do que aparentam, mas o ridículo da humanidade, é que quando se é pequeno todos querem crescer para ser “grandes”, mas ninguém explica às ingénuas crianças que crescer, tem muito que se lhe diga. Não digo que seja mau, ter altura suficiente para chegar á prateleira das bolachas de chocolate, é um grande feito, ou ter força suficiente para rodar o manípulo da porta de saída, é importante na construção do eu, sem falar em alcançar aquela tão desejada altura para poder entrar naquele carrossel “proibido”, mas acho que dispensava isso tudo apenas para ser mais um adulto complicado, que vê problema em tudo o que mexe…
Tenho saudades, dos olhos iluminados que fazíamos quando as nossas mães nos ofereciam um kinder surpresa e nos saía um fatasminha que brilha no escuro, eu pessoalmente tinha a minha colecção privada, ter um bando de coisas luminosas no meu quarto era algo atractivo, ou os tazos, sendo que no tempo de intervalo juntava-me com os rapazes para trocar com eles os repetidos, ou seja, na maioria das vezes ficar sem eles… Sem falar da correria que era quando começava o dragon Ball Z, e cantávamos a música de abertura com grande entusiasmo, fazendo os cameamea com grande alvoroço gritando sempre que o Son Goku vencia o terrível mal. Ou ainda a Sailor Moon a gritar “Pelo poder do Prisma Lunar”, nunca cheguei a perceber o porquê do prisma, mas eu naquela altura sabia lá o que era um prisma, só sabia era que o mascarado me fazia suspirar por todos os lados isso sim… Bons velhos tempos, que deixam saudade ao mais bem pintado do Mundo, porque inocência como aquela não voltamos a ter…Tudo isto para relembrar que a infância é uma das melhores fazes da vida… e devemos sempre aproveita-la ao máximo.
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