Estava eu descansar num local de bonita visão quando sou assaltada por um pensamento extravagante e frustrado, esta música inicia a sua marcha por o meu cérebro a dentro sem permissão alguma, tocando em temas que a meses evito. O ser humano muitas vezes erra, e o que nos difere um dos outros é a maneira como emendamos esse erro, mas pior do isso é não admitir esse mesmo erro e santificar-se a si próprio em toda a sua existência mesmo (perdoem m a expressão ligeiramente forte) tendo sindo um pouco ou nada diabólica numa passagem antiga.
Dias atrás disseram-me que a vida é injusta, mas ninguém considera
ou reflete que todos somos injustos para a vida, quando esta não nos dá o que
queremos, trapaceamos, insultamos, reclamamos, mas ninguém sabe o seu plano, e
vejo me assim perdida numa outra musica, com ritmo diferente, que fez desta
forma mudar o que penso, mudar o que acho importante, mudar de veneno para sabedoria
impura que me trespassa as veias.
Depois da tempestade vem a bonança, na minha opinião mais
sincera, serei ser incompreensível por tal pensamento, mas eu cá prefiro a
tempestade, a raiva e o ódio dominam-me, fazem-me sentir como que anestesiada,
forte, poderosa capaz de enfrentar seres abomináveis que subsistem ao meu redor,
que se apegam e não largam, que sugam a cor dos cabelos meus tornando-se
grisalhos, que me roubam o sorriso que há muitos anos atras diziam ser bonito,
vendem e revendem a tristeza que provocam, exibindo como se trofeus fossem de
um campeonato há muito descreditado.
Uma lagrima jorra com
o fim da ultima musica, passeando sobre a face enroscando-se nos lábios que ao
ouvirem o inicio da musica seguinte se entreabrem e relembram, a moça desajeitada
e envergonhada, segurando um micro desajustado a situação, tentando cantarolar uma
musica que cujo dono daquele coração mal tratado gostava, e assim sendo entre
risos e voz tremida, la se conta e sente os bons momentos passados e tao raros
daquela pequena moça, que voz não tinha para cantar.
Lá vem a raiva, o odio, é bom ser mau por um momento,
sozinho sem pessoas a volta, é bom, só há um senão, o raio da consciência persegue-nos,
podia se distrair com alguma montra de bem-feitores e dar-nos descanso, mas não,
esta sempre atras de um arbusto pronta a atacar, mas nem misericórdia tem, em
vez de intervir antes de pensarmos em algo que não devemos, deixa-nos rejubilar
com a sensação de sermos agressivos, mesmo que apenas em pensamento, para de
depois de dar ao prazer de nos apanhar pela situação caricata do erro, amedrontada
consciência não pudemos viver sem ela, mas não deixa de ser demasiado chata,
faz-me lembrar não sei quem.
Do nada e sem aviso aparente surge uma rapariga com os seus
8 anos, cabelos longos, com uma camisola de lã esbranquiçada, e uma saia
axadrezada vermelha e preta, anda aos saltos parecendo um canguru, de repente
pára como se a chamassem, apenas para o sentir o vento na face, os cabelos castanhos
esvoaçam, e ela sorri de olhos fechados, descalça os sapatos pretos, mas com
cuidado, mostrando preocupação por aquele objeto, corre esticando os braços imitando
o som de um avião, parecendo uma maluquinha, mas contudo é livre, feliz,
alegre. A inveja ataca-me, como queria eu ser aquela rapariga despreocupada, a
responsabilidade pesa tanto, envelhece-nos, torna-nos seres incompreensíveis para
aqueles que vivem a idade da inocência. Quero ser criança outra vez, não
percebia metade das coisas e algo simples faziam-me sorrir, não era preciso um
esforço demasiado grande todos os dias, para apenas esboçar um leve sorriso.
Talvez aprenda a sorrir com outras coisas. (a musica termina)
