O véu que me cai pelos cabelos, impecavelmente penteados e estrategicamente ondulados para a ocasião, desprende-se com a agitação do corpo, perdendo-se no chão frio de betão, os pés não são suficientemente rápidos, causando um sentimento de desespero irracional, e num ímpeto de angústia alarmante descalço-me deixando os dois sapatos brancos perdidos entre os carros que passam, fazendo-me lembrar a Cinderela, mas ao contrário dela eu não fujo do meu príncipe, vou ao encontro dele para quebrar a incompreendida superstição.
O motivo pelo qual corro é para salvar a minha razão de viver, aquele pelo qual nutro um amor sem igual, e que tudo daria pela sua vida, um amor irracional e talvez por isso muito mais intenso, o meu noivo.A minha respiração torna-se ofegante, a pulsação do meu peito acelera, o vento fustiga-me a cara, os olhos ardem e como consequência transbordam de néctar salgado, o vento brinca com o meu vestido obrigando-o a ficar para trás dando a ilusão de que sou provida de asas, ouço o meu nome ser chamado nas minhas costas mas não me importo, nada importa quando o motivo central da nossa existência está em risco.
Tudo isto apenas porque a superstição me decidiu assaltar no dia mais feliz da minha vida, porque é que as entranhas do sobrenatural me tinham de visitar hoje, logo hoje, o dia do meu casamento.
Excerto de um livro que um dia talvez escreva
ola...
ResponderEliminargostei muito deste texto...
que a força dessa noiva te acompanhe a vida toda...
para que sejas feliz como ela...
bjux