domingo, 28 de agosto de 2011

Dancing


E se numa dança pudesse demonstrar o que sinto seria raiva, amor ou esperança, uma dança de espadas recaídas numa atitude defensiva, tornando-me numa pessoa rabugenta e difícil, com passos cautelosos, ou passos apaixonados e intensos transmitindo o sentimento duplamente forte num contraste de atitude sublime, que enfatiza o ser mais neutral da história.

E se entre os rodopios da dança, lágrimas fossem esquecidas por entre os passos descoordenados que formam uma bonita coreografia, quem se sentaria na bancada feita de pedra e cal, para se dar ao trabalho de observar aqueles passos desnecessários incapazes de deslumbrar, apenas de sentir.

A dança estende-se com passos mais fortes e rápidos como se os golpes de dor me atingissem sempre que tocasse o chão, alguém ri á socapa, sem querer saber do que sinto, rindo do meu pesar, gargalhando da minha dor, troçando das minhas falhas gritando que não conseguirei…

 O sentimento de raiva preenche-me sentido a familiaridade da voz os movimentos alteram-se o corpo desdobra-se sem ordem do meu consciente, a paixão de cada passo intensifica-se, a musica altera, um sorriso forma-se na minha face, danço com vida, como se fosse a minha ultima dança como se tudo a minha volta fosse o palco, como se fosse o palanque da minha vida, como se tudo se resumisse a isso, a movimentos de diferentes partes do corpo, como se cada movimento bem executado fosse uma vitoria na vida real, o suor preenche me a face comprovando o meu esforço, a voz a criticar silencia não tendo voz altiva de dizer seja o que for, os músculos estão doloridos do esforço, mas é uma dor que me completa que me dá animo, mas as forças abandonam-me como que dizendo que o limite foi atingido, mas eu não quero parar não sendo isto que me mantém viva, e se parar afim descansar como poderei eu saber que terei forças para recomeçar…

 Num suspiro longo, as forças desaparecem por fim, sem aviso prévio ou explicação, o meu corpo tomba sobre o chão, exausto e realizado, tudo terminou tudo parou, as lágrimas surgem, como se uma derrota se tratasse, o ar deixou de circular dentro de mim, o batimento cardíaco cessou. É uma questão de tempo até que tudo desapareça e não de uma memoria apagada… e quando estou prestes a desistir de lutar pela vida, palmas se ouvem da bancada de pedra e cal, na qual apenas olhei uma vez, e apenas vi a única pessoa que me criticava, não vendo quem ao lado se sentava, quem agora batia palmas, quem agora gritava pelo meu nome, quem agora me dava os parabéns, quem esteve sempre lá a apoiar-me e eu simplesmente não via, cega estive este tempo todo, nunca estive sozinha, apenas não via quem me rodeava… a vida flui em mim de novo, a plateia aproxima-se erguendo-me do chão, dando-me o palco para que rodopie de novo, mostrando ao homem que me criticava quem sou, que nada do que ele me diga me atinge, que sou capaz de muito mais, e que tudo o que ele faça para me rebaixar apenas terá o efeito contrario, pois não estou sozinha…

sábado, 6 de agosto de 2011

Pesadelos que viram sonhos


A vida flui com sentido e norte, mas a realização embrenha-se numa espiral mortífera de desapontamento, sinto-me cansada sem forças, a vida já não flui em mim, abandona-me enquanto me desmorono sem aviso prévio ou informação meteorológica sobre o furacão de navalhas que se forma em parte incerta dentro de mim. As lágrimas escorregam sem consentimento dos olhos meus, a visão turva-se e os olhos fecham, como fechando a porta ao que me rodeia.
Adormeço quando menos espero, e o sonho prega-me partidas como se as partidas da vida não chegassem, o corpo cai sem folgo ou ar num abismo de dor e mágoa, a culpa pesa-me e quase me esmaga, o som das vozes a julgar-me pressiona-me no vazio, ouvindo-se cada vez mais alto, o som de derrota que embala a dor no meu peito, as lágrimas formam poças no chão gélido. A vida abandona-me aos poucos, fico feliz, é o melhor final que naquele momento imagino, o fim de tudo é agradável, não alcançarei a felicidade mas ao menos a dor não me pressiona mais.
As mãos tremem como se de frio sofressem mas nem a simples sensação de frio tenho direito, tudo é nulo, não existe cor apenas formas. Está quase a acabar nada existirá depois disto, talvez vá nascer de novo e recomeçar tudo de novo, talvez, tudo é possível.
Mas quando estou preste a dar o último suspiro, algo muda, um rasgo de luz choca-me a visão, algo quente me envolve, aconchegando a algo familiar, és tu, vieste por mim, vieste secar as lágrimas intermináveis, vieste vaporizar a solidão, vieste afastar a magoa dos pensamentos com palavras doces e fazer-me cócegas com a barba no pescoço, aqueces me o coração que julgava perdido, vieste dar cor ao que me rodeia, dando me força para enfrentar o fracasso és tu, que sem me julgar ou criticar me amas com todos os meus defeitos, e mesmo assim duvidas da importância que tens para mim. És o meu amparo, a minha alma gémea, que sabe o que me dizer na altura devida as palavras que preciso, que sabe o que fazer quando estou nervosa, que sabe o que preciso quando estou carente, que me compreende quando digo algo inadequado á situação, que sabe o porquê de um momento para outro numa conversa banal os meus olhos se encherem de lágrimas.
Quero te fazer feliz todos os dias da tua vida quero te fazer sorrir todos os dias da tua existência, que apenas chores de alegria, que te apoies na pessoa que te ama profundamente e que daria a vida por ti, que te dá na cabeça quando precisas mas que o faz sempre para o teu bem. Amo-te pelo que és, pela forma como sorris, da maneira que te ris das minhas piadas, de como me ouves a falar de twilight mesmo achando-os homossexuais, de como semicerras os olhos quando estas alegre ou o sol te apanha desprevenido, de como devoras frango, ou a salada temperada a teu gosto, de como não me olhas nos olhos quando me estas a esconder algo ou a preparar uma surpresa, de como ficas pensativo e preocupado comigo mas não o demonstras apenas para não me afligir. Como poderia eu não te amar? És mais do que imaginei, e ultrapassas o que eu pedi, amo-te profundamente e iremos ultrapassar as saudades e a distância meu amor. Nunca duvides disso.
O sonha acaba é de dia, e levanto-me na esperança de ter nos meus braços por um momento que seja. Pois existem pesadelos que viram sonhos e sonhos que viram realidade.
Vera Silva