sábado, 6 de agosto de 2011

Pesadelos que viram sonhos


A vida flui com sentido e norte, mas a realização embrenha-se numa espiral mortífera de desapontamento, sinto-me cansada sem forças, a vida já não flui em mim, abandona-me enquanto me desmorono sem aviso prévio ou informação meteorológica sobre o furacão de navalhas que se forma em parte incerta dentro de mim. As lágrimas escorregam sem consentimento dos olhos meus, a visão turva-se e os olhos fecham, como fechando a porta ao que me rodeia.
Adormeço quando menos espero, e o sonho prega-me partidas como se as partidas da vida não chegassem, o corpo cai sem folgo ou ar num abismo de dor e mágoa, a culpa pesa-me e quase me esmaga, o som das vozes a julgar-me pressiona-me no vazio, ouvindo-se cada vez mais alto, o som de derrota que embala a dor no meu peito, as lágrimas formam poças no chão gélido. A vida abandona-me aos poucos, fico feliz, é o melhor final que naquele momento imagino, o fim de tudo é agradável, não alcançarei a felicidade mas ao menos a dor não me pressiona mais.
As mãos tremem como se de frio sofressem mas nem a simples sensação de frio tenho direito, tudo é nulo, não existe cor apenas formas. Está quase a acabar nada existirá depois disto, talvez vá nascer de novo e recomeçar tudo de novo, talvez, tudo é possível.
Mas quando estou preste a dar o último suspiro, algo muda, um rasgo de luz choca-me a visão, algo quente me envolve, aconchegando a algo familiar, és tu, vieste por mim, vieste secar as lágrimas intermináveis, vieste vaporizar a solidão, vieste afastar a magoa dos pensamentos com palavras doces e fazer-me cócegas com a barba no pescoço, aqueces me o coração que julgava perdido, vieste dar cor ao que me rodeia, dando me força para enfrentar o fracasso és tu, que sem me julgar ou criticar me amas com todos os meus defeitos, e mesmo assim duvidas da importância que tens para mim. És o meu amparo, a minha alma gémea, que sabe o que me dizer na altura devida as palavras que preciso, que sabe o que fazer quando estou nervosa, que sabe o que preciso quando estou carente, que me compreende quando digo algo inadequado á situação, que sabe o porquê de um momento para outro numa conversa banal os meus olhos se encherem de lágrimas.
Quero te fazer feliz todos os dias da tua vida quero te fazer sorrir todos os dias da tua existência, que apenas chores de alegria, que te apoies na pessoa que te ama profundamente e que daria a vida por ti, que te dá na cabeça quando precisas mas que o faz sempre para o teu bem. Amo-te pelo que és, pela forma como sorris, da maneira que te ris das minhas piadas, de como me ouves a falar de twilight mesmo achando-os homossexuais, de como semicerras os olhos quando estas alegre ou o sol te apanha desprevenido, de como devoras frango, ou a salada temperada a teu gosto, de como não me olhas nos olhos quando me estas a esconder algo ou a preparar uma surpresa, de como ficas pensativo e preocupado comigo mas não o demonstras apenas para não me afligir. Como poderia eu não te amar? És mais do que imaginei, e ultrapassas o que eu pedi, amo-te profundamente e iremos ultrapassar as saudades e a distância meu amor. Nunca duvides disso.
O sonha acaba é de dia, e levanto-me na esperança de ter nos meus braços por um momento que seja. Pois existem pesadelos que viram sonhos e sonhos que viram realidade.
Vera Silva

1 comentário:

  1. Simplesmente fantástico, este sim é o melhor de sempre, mas infelizmente foi escrito num tempo muito triste, se calhar por isso é que é o melhor, é a contradição.

    Beijinho da amiga que gosta de ti (mesmo que as vezes seja uma chata rabugenta nervosa compulsiva) eheheheheh

    Pensa positivo, faltam 16 dias e parece-me que dia 1 de Setembro já temos aulas de preparação para o começo do semestre ou serão exames de diagnóstico? Acho que ouvi falar de qualquer coisa... :)

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