
Raiva é o que sinto. O ódio envenena cada célula do meu corpo, por mais insignificante que seja.
E não compreendo o porquê deste sentimento, repugna-me a mim mesmo, mas não o consigo controlar, lança-se sobre os meus membros e domina os meus movimentos, sem falar da mente, essa de tão fustigada pelas intrigas da vida, rende-se sem nenhum lamentar, e entrega-se a uma emoção, que embora igualmente intensa não é a que ambiciona.
Perdoem-me a rudeza das palavras, mas nestes momentos, nem a morte me assusta, tudo me irrita, parecendo até que tenho forças ilimitadas. Se não fosse este sentimento tão negativo e devastador até era positivo, pois “mexe” com o interior da pessoa, evidenciando a estupidez que nos engloba, sem querer ser englobado.
Será pecado, o desejo, a ânsia incapacitante (ou capacitante de mais), de querer cometer uma loucura, por mais irresponsável que seja?
Não sei, mas também não estou interessada na resposta, a importância do saber desta apenas se revelou á um momento atrás, e agora não passa de um eco absurdo, num poço seco, inundado apenas pela franzina e tosca província da fantasia mística.
Absurdo é o sentimento, mas mantém me viva e na caminhada desesperante que é este torpor de vida, revela-se mais útil do que a vaga e fraca apatia, tão perigosa e por vezes fatal quando se junta á melancolia.
O ódio relaciona-se intimamente com a irracionalidade, mas o que alguns não se dão ao trabalho de pensar, é que a irracionalidade, embora casada com o ódio, é amante do amor, sendo este útil tão ou mais disparatado como o primeiro.
Os dedos tremem-me sobre o teclado e o meu cabelo encaracola sobre a face, os olhos enchem-se de uma humidade que não quero reconhecer, mas prefiro não me lembrar do motivo deste texto.
Há pensamentos que nunca deveriam sair das altas muralhas que são a nossa mente, mas algumas arranham as portas da fortaleza até que estas, cansadas de tanta exaltação, se abrem apenas para ter alguns segundos de descanso…
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