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Sou um ano mais nova, no ginásio desta mesma escola, a professora ensina os primeiros passos de valsa, as raparigas riem-se dos passos desajeitados dos rapazes e estes, ao mínimo sinal de distracção da professora, param e recomeçam aquele tipo de algazarra típica de adolescentes do sexo masculino, estou nervosa, sempre tive um pouco de vergonha para dançar, principalmente a pares, não se encaixa na minha maneira de ser, o facto de ter de ser “levada” pelo meu companheiro, na minha filosofia de vida, a ideia deixa-me desconfortável. O primeiro par que calha na rifa é um rapaz de quase 1,95m de altura, apelidado de pé de “chumbo”, porque será?... Basicamente, ao invés de se dar ao mísero trabalho de colocar os pés no sítio correcto e direccionar-me para o local certo, levanta-me, com uma gentileza tímida, transporta-me pelo ar e coloca-me no sítio onde, para lá chegar, devia ter dado os três passos obrigatórios, limitando-se apenas a fazer-me voar para chegar ao destino. Não é que seja desagradável, apenas perde a piada, e um certo encanto, mas o que estraga mesmo tudo, é quando os pés deste mesmo gigante se designam a torturar os meus, fazendo com que os estes, fiquem ligeiramente esmagados por baixo dos seus.
Hora de trocar de par, graças a Deus, sem ofensa, mas o meu dedo mindinho já se estava a queixar. Brincadeira do destino, agora calha-me o pigmeu da turma, mas que se acha o forte lá do sítio, a única coisa que tem é uma boa garganta, não tendo força para me levantar no ar como o gigante, e eu não tendo ainda treinado (correctamente) vez alguma, arrasta-me pelo chão, quase tropeço nos seus pés, resmungando algo a que soou “lenta”, mas não tenho a certeza, a professora vira costas e começa a procurar um outro CD, enquanto isso, mais de metade dos pares pára, demonstrando assim o seu não consentimento perante a matéria leccionada, a música termina, e a professora volta-se, pedindo para que troquemos de novo de par.
Hora de alegria, calha-me “ele”, ao contrário dos outros, tem paciência, não me levanta no ar, ou me chama de lenta, limita-se apenas a pousar a mão com suavidade na minha cintura, e a pedir para relaxar, lembro exactamente das palavras que usou “Relaxa Vera, tas tão tensa, sente a música”, acompanhando as palavras com um breve sorriso, relaxei, mas senti-me atrapalhada por não estar á altura dele na dança, ao fim de alguns momentos já rodopiávamos pelo ginásio, senti-me bem, mas mesmo assim ainda me faltava algo, ia começar a conversar quando a professora dá por terminada a aula, ele retira a mão da minha, com uma delicadeza indescritível, volta-se com suavidade e dirige-se a porta do ginásio.
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Alguém me empurrou, a demonstração de dança acabou e agora os alunos querem ir para o recreio, apresso-me a sair, não gosto de relembrar momentos pelos quais não posso passar outra vez, eu estou diferente, mas “ele” também… O que não implica a mudança na saudade que possa sentir.
Bella S.
gostei deste :)
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