E se um punhal feito de dor perfurasse o centro do meu ser, e se a magoa e a tristeza se unissem num âmago fechado, e se sol se esquece-se de mim e eu sozinha, dormitando sobre a relva macia, fechasse os olhos cansados de jorrar lágrimas e sonhasse. Algo belo, simples e imperfeito, algo que pudesse construir, aperfeiçoar, e nunca acabar, mas se acabasse, haver algo ainda mais promissor e com um grau de dificuldade bastante superior, desafiando o meu intelecto, e assim fosse até ao fim dos tempos ou até que sol deixasse de existir para me acordar, ou vento para me lembrar (a meio da noite) que já se faz tarde, e que terei de ir para aquele sitio que muitos apelidam de “casa”.
As lágrimas secaram, formaram traços na minha face, e tal é a frieza da lágrima que esta congelou mesmo no meio da maçã do rosto. A lua com um sopro aquece-me o corpo, beija-me a face com carinho, como se sua filha fosse, e as minhas supostas irmãs, as estrelas, brincam comigo formando figuras no céu,
Mas tenho de voltar, não sarda o sol lembrasse de mim, e volta do seu passeio para me vir fazer cócegas pelas costas. Despeço-me da lua, e desejo-lhe um bom sono, eis então que algo me atravessa a visão… Acordo, de tantos “se’s” esquecera que de facto adormecera, e um raio de sol maroto brinca com a ponta do meu nariz, de tudo que este mundo tem, é grandioso dar pela presença das coisas mais pequenas.
Leonor Norte

Leonor, o mundo em que vives irá mudar um dia... Quando menos esperares... E o que esperas da vã existência deixará de fazer sentido...pois ela já não será "vã" mas "plena"...
ResponderEliminarBeijos mágicos...
fabuloso! estou fascinado
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