Há dias levantaram a questão do “romantismo”. O assunto surgiu num parágrafo de uma crónica escrita por um amigo meu. Aquilo mexeu comigo e de certa forma espevitou a parte argumentativa do meu cérebro.
A palavra “romantismo” é muitas vezes associada a uma determinada data do ano, a que muitos apelidam de “dia dos namorados”. Eu não tenho nada contra, aliás tenho de me lembrar de abrir uma barraquinha de ursos pindéricos e de velas estragadas (sem falar na lingerie sintética ou comestível, o que for mais piroso) sempre dá para arranjar uns trocos para comprar umas meias com corações cor-de-rosa.
“Romantismo”,infelizmente, tornou-se sinónimo de consumismo, assim como o Natal. Se perguntarem a um rapaz como é que ele pode ser romântico a resposta natural será “comprar umas flores”, “comprar uma prenda”, “pagar um jantar”, e tudo o que mais incluir as palavras “comprar” e “pagar”. Será que alguém se lembra do real significado de ser romântico? Acreditem, é possível ser-se romântico sem gastar grande coisa, por exemplo, ao invés de “pagar” o jantar porque não cozinhar para ela? O mesmo se processa ao contrário. Ao invés de comprar um urso gigante de peluche (e eu até gosto de peluches) porque não lhe tocar uma música em piano, guitarra, ou até cantar se tiver voz para isso? Ser-se criativo é o grande segredo do romantismo, saber como surpreendê-la é o que mantêm a relação dinâmica. Não digo que receber prendas não seja bom, mas é triste lembrar-se apenas disso um dia por ano, e muitas vezes apenas pelo estatuto social de poder afirmar que “eu recebi isto…” e “ele/ela ofereceu-me aquilo”. A vida não é tão bela como um romance, mas fazer um esforço para a tornar similar a algo tão belo é o que torna a vida a razão para se lutar.
O romantismo não é apenas o receber, é o dar sem pensar em receber, o problema é que isto é para levar à letra e não apenas como um slogan de uma campanha natalícia.

Lá isso é verdade o romantismo está muito capitalisado.
ResponderEliminarConcordo inteiramente contigo amiga, hoje já ninguém pensa em oferecer algo a alguém que não seja comprado... Até nós próprios.
ResponderEliminarPensar por nós próprios o que oferecer sem recorrer a bens materiais é mais trabalhoso mas muito mais significativo. No final, ambos poderiam retirar momentos mais especiais.
Fantástico texto esse, sabes que o adoro simplesmente!
Vera não podia estar mais de acordo. Este ano deparei-me com esse mesmo dilema na data por ti referida. Queria dar à minha namorada algo mais especial que apenas carinho e afecto, mas sem entrar na espiral diabólica que é o consumismo :). Tudo isto porque essas prendas de ursinhos e lingerie acaba por ser o mesmo todos os anos :p. Fiz-lhe eu mesmo a prenda, um poster gigante com fotos nossas, do twilight,paisagens lindas enfim tudo o que gostamos. Ela amou! Adoro os teus textos são simplesmente lindos, inteligentes, tocantes, continua assim ;)
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