terça-feira, 1 de novembro de 2011

Breather


É quando se esconde uma lágrima por entre tantas que frustradas se escondem, que se sente o tamanho da dor, pendente da ferida aberta que brota do coração melindrado sem cura, ou com cura demasiado longínqua, situada além da fronteira da cidade. A garganta fecha consumida com a sensação de desamparo existente da falta continua ao longo dos anos. O chuveiro flui sofre o meu corpo gelado, a água queima em contacto com a minha pele, frágil de extrema sensibilidade, e nesse tempo precioso as lágrimas deslizam misturando-se com a água que acaricia a pele, o choro esquece a desonra, perde-se na mágoa, mistura-se com a água doce que advêm do chuveiro, sem consentimento meu misturando-se numa cascata imaginaria que me faz sentir frágil perante olhares inexistentes.
Sem querer ver ou esperar na encruzilhada dos pensamentos a casa fica vazia e nos segundos que antecedem o ligar ao dono do meu coração a fim de chacinar as saudades que tanto me perturbam, ou falar com os amigos sobre uma saída passada, a atracção ao solo intensifica-se, como um hímen camuflado que na realidade existe, caio sobre o chão, os soluços apoderam-se do meu peito e voz, sem qualquer autorização ou pedido justificado por requerimento emocional. As lágrimas soltam-se como um louco fugido da prisão. Derramam-se sobre os tacos gastos pelo tempo da casa que não reconheço como minha, escurecendo as zonas onde a água salgada emudece.
A dor pesa pressiona-me o corpo, torna-se física, a respiração cessa como se o mundo ficasse sem ar, num segundo de loucura inesperada, um sistema de defesa há muito banido por descontrolo desmedido, acciona porque as circunstancias assim o exigem, o tempo pára, os relógios formam estátuas, a dor paralisa, a gravidade não existe mais, mas algo se passa, algo horrível se passa e eu não sei o que é, caminho até porta, com passos pesados, o silêncio é a única coisa que pesa um grito abafado trespassa me o peito, sobre os meus pés uma guerra rebenta, algumas das pessoas que mais amo deitados sem vida sobre um chão que não conheço, amigos lutam ao longe, fora do meu alcance como que se fosse a última batalha que travassem, corro mas não saiu do mesmo sitio como um pesadelo, o meu olhar é atraído para uma área especifica no meio do caos, a pessoa que mais amo deitado sobre o chão sem vida, os meus joelhos dobram-se sobre si, berros rompem da minha garganta como se fossem punhais, as veias dilatam sobre a pressão que exerço sobre mim os meus braços rodeiam quem é dono de mim, grito para que me leve também a pulsação aumenta o limite está a ser atingido, estou prestes a ceder, a minha mente não aguenta mais grito como um mudo gritaria se ganha-se voz.
Tudo pára.
Ouve-se o tictac dos relógios ao fundo, uma névoa difusa evapora-se aos poucos, vejo um tecto, as minhas mãos ainda tremem, as lágrimas ainda estão húmidas nas maças do rosto, o peito não dói mais, o choro cessou, tudo não passara de um sonho, tudo está bem. E no meio da estupidez da cena uma gargalhada solta-se, tudo está bem, tudo, agora vejo que são meros problemas que me assolam a mente, tudo pode ser resolvido, uma sensação de alivio apodera-se de mim, levanto me, lavo a face e os olhos magoados, respiro uma e outra vez fundo e ligo aos meus amigos, como se nada se tivesse passado, com um novo animo e pensado na sorte que tenho em ainda te ter.

Vera Silva

domingo, 28 de agosto de 2011

Dancing


E se numa dança pudesse demonstrar o que sinto seria raiva, amor ou esperança, uma dança de espadas recaídas numa atitude defensiva, tornando-me numa pessoa rabugenta e difícil, com passos cautelosos, ou passos apaixonados e intensos transmitindo o sentimento duplamente forte num contraste de atitude sublime, que enfatiza o ser mais neutral da história.

E se entre os rodopios da dança, lágrimas fossem esquecidas por entre os passos descoordenados que formam uma bonita coreografia, quem se sentaria na bancada feita de pedra e cal, para se dar ao trabalho de observar aqueles passos desnecessários incapazes de deslumbrar, apenas de sentir.

A dança estende-se com passos mais fortes e rápidos como se os golpes de dor me atingissem sempre que tocasse o chão, alguém ri á socapa, sem querer saber do que sinto, rindo do meu pesar, gargalhando da minha dor, troçando das minhas falhas gritando que não conseguirei…

 O sentimento de raiva preenche-me sentido a familiaridade da voz os movimentos alteram-se o corpo desdobra-se sem ordem do meu consciente, a paixão de cada passo intensifica-se, a musica altera, um sorriso forma-se na minha face, danço com vida, como se fosse a minha ultima dança como se tudo a minha volta fosse o palco, como se fosse o palanque da minha vida, como se tudo se resumisse a isso, a movimentos de diferentes partes do corpo, como se cada movimento bem executado fosse uma vitoria na vida real, o suor preenche me a face comprovando o meu esforço, a voz a criticar silencia não tendo voz altiva de dizer seja o que for, os músculos estão doloridos do esforço, mas é uma dor que me completa que me dá animo, mas as forças abandonam-me como que dizendo que o limite foi atingido, mas eu não quero parar não sendo isto que me mantém viva, e se parar afim descansar como poderei eu saber que terei forças para recomeçar…

 Num suspiro longo, as forças desaparecem por fim, sem aviso prévio ou explicação, o meu corpo tomba sobre o chão, exausto e realizado, tudo terminou tudo parou, as lágrimas surgem, como se uma derrota se tratasse, o ar deixou de circular dentro de mim, o batimento cardíaco cessou. É uma questão de tempo até que tudo desapareça e não de uma memoria apagada… e quando estou prestes a desistir de lutar pela vida, palmas se ouvem da bancada de pedra e cal, na qual apenas olhei uma vez, e apenas vi a única pessoa que me criticava, não vendo quem ao lado se sentava, quem agora batia palmas, quem agora gritava pelo meu nome, quem agora me dava os parabéns, quem esteve sempre lá a apoiar-me e eu simplesmente não via, cega estive este tempo todo, nunca estive sozinha, apenas não via quem me rodeava… a vida flui em mim de novo, a plateia aproxima-se erguendo-me do chão, dando-me o palco para que rodopie de novo, mostrando ao homem que me criticava quem sou, que nada do que ele me diga me atinge, que sou capaz de muito mais, e que tudo o que ele faça para me rebaixar apenas terá o efeito contrario, pois não estou sozinha…

sábado, 6 de agosto de 2011

Pesadelos que viram sonhos


A vida flui com sentido e norte, mas a realização embrenha-se numa espiral mortífera de desapontamento, sinto-me cansada sem forças, a vida já não flui em mim, abandona-me enquanto me desmorono sem aviso prévio ou informação meteorológica sobre o furacão de navalhas que se forma em parte incerta dentro de mim. As lágrimas escorregam sem consentimento dos olhos meus, a visão turva-se e os olhos fecham, como fechando a porta ao que me rodeia.
Adormeço quando menos espero, e o sonho prega-me partidas como se as partidas da vida não chegassem, o corpo cai sem folgo ou ar num abismo de dor e mágoa, a culpa pesa-me e quase me esmaga, o som das vozes a julgar-me pressiona-me no vazio, ouvindo-se cada vez mais alto, o som de derrota que embala a dor no meu peito, as lágrimas formam poças no chão gélido. A vida abandona-me aos poucos, fico feliz, é o melhor final que naquele momento imagino, o fim de tudo é agradável, não alcançarei a felicidade mas ao menos a dor não me pressiona mais.
As mãos tremem como se de frio sofressem mas nem a simples sensação de frio tenho direito, tudo é nulo, não existe cor apenas formas. Está quase a acabar nada existirá depois disto, talvez vá nascer de novo e recomeçar tudo de novo, talvez, tudo é possível.
Mas quando estou preste a dar o último suspiro, algo muda, um rasgo de luz choca-me a visão, algo quente me envolve, aconchegando a algo familiar, és tu, vieste por mim, vieste secar as lágrimas intermináveis, vieste vaporizar a solidão, vieste afastar a magoa dos pensamentos com palavras doces e fazer-me cócegas com a barba no pescoço, aqueces me o coração que julgava perdido, vieste dar cor ao que me rodeia, dando me força para enfrentar o fracasso és tu, que sem me julgar ou criticar me amas com todos os meus defeitos, e mesmo assim duvidas da importância que tens para mim. És o meu amparo, a minha alma gémea, que sabe o que me dizer na altura devida as palavras que preciso, que sabe o que fazer quando estou nervosa, que sabe o que preciso quando estou carente, que me compreende quando digo algo inadequado á situação, que sabe o porquê de um momento para outro numa conversa banal os meus olhos se encherem de lágrimas.
Quero te fazer feliz todos os dias da tua vida quero te fazer sorrir todos os dias da tua existência, que apenas chores de alegria, que te apoies na pessoa que te ama profundamente e que daria a vida por ti, que te dá na cabeça quando precisas mas que o faz sempre para o teu bem. Amo-te pelo que és, pela forma como sorris, da maneira que te ris das minhas piadas, de como me ouves a falar de twilight mesmo achando-os homossexuais, de como semicerras os olhos quando estas alegre ou o sol te apanha desprevenido, de como devoras frango, ou a salada temperada a teu gosto, de como não me olhas nos olhos quando me estas a esconder algo ou a preparar uma surpresa, de como ficas pensativo e preocupado comigo mas não o demonstras apenas para não me afligir. Como poderia eu não te amar? És mais do que imaginei, e ultrapassas o que eu pedi, amo-te profundamente e iremos ultrapassar as saudades e a distância meu amor. Nunca duvides disso.
O sonha acaba é de dia, e levanto-me na esperança de ter nos meus braços por um momento que seja. Pois existem pesadelos que viram sonhos e sonhos que viram realidade.
Vera Silva

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Pensamento criticável

O poder que preenche as veias envenena-te a alma com um sorriso malicioso sem querer saber se te importas ou não. A fúria consome os teus desejos e és inofensiva perante tal inimigo aliado, que se ri á socapa das tuas desventuras aventuradas, sem compreender o estratagema da estrutura física subentendida nas linhas do destino, sem compreender a existência das falácias presumíveis do teor contraditório que é a vida.


E vê se aqui alguém perdido na incompreensão da salgalhada que é a minha escrita opinando sobre aquilo que não compreende e nem sente podendo ou não gostar do que aparento escrever, dando por vezes (alguns) palpites dignos de animais irracionais e sem um pingo de decência, nesse organismo grotesco que habita um amontoado de ossos pegajosos falantes. Desculpa os termos utilizados, mas a informalidade abunda no teor da carnificina quando este não é exposto na forma devida.

A liberdade de expressão é uma bênção dos céus que quando mal utilizada desabrocha numa cruel e efémero prazer de criticar na ignorância do seu ser, o objecto de um sentimento que não poderá compreender por ser demasiado hipócrita, e se me permite o termo, um asno com voz de homem, ou fotocópia de homem porque nem de homem é lhe possível chamar. É fácil ridicularizar algo, quando não se tem nada a apresentar ou a dar á sua volta, acha-se por si só o melhor do mundo e não passa de um indivíduo com demasiado tempo livre e desequilibrado intelectualmente e sentimentalmente que possivelmente passa os dias a criticar tudo o que seja superior a ele que neste caso é quase tudo, talvez por acaso assim só de passagem seja superior a um monte acabado de defecar de derivados fisiológicos… mas pensado bem… esse mesmo monte servirá em alguma altura para fertilização de um solo qualquer, e esse mesmo individuo de tão tóxico e impróprio para a saúde pública nem para esse efeito serve.

Quando a vós criaturas obscenas vos subir um arrepiozinho pelo rabo a cima que por conseguinte vos dê uma vontade louca de criticar de forma animalesca tudo a vossa volta, experimentem o seguinte, encham a banheira de água mergulhem a cabeça mantendo-a lá, e contem de forma pausada até 38573634254, vão ver que a vontade passa, mas como devemos poupar a água nesta altura do ano, que tal mergulhar numa fossa e passar lá o mês.

Deixem de ser crianças intoleráveis, as vossas mães não vos aturam por algum motivo. E só paro que conste eu aceito criticas construtivas e chego mesmo a publicar, não aceito infantilidades vossas.

Outra coisa antes que me esqueça, escusam de tentar comentar, os vossos comentários não irá aparecer o blog sem minha supervisão.



Com os melhores bofetões e inexistência de respeito.



Speak to the hand

sexta-feira, 4 de março de 2011

Sob a chuva

Ao fim de 4 horas seguidas a jogar basket, naquele campo improvisado a beira-rio, deito-me sobre o chão composto por uma mistura de terra e areia e observo o céu. Sinto-me cansada mas contente, não por ter ganho ou perdido, apenas porque sim. Olho o céu, não sei quanto tempo passou, apenas me apercebi que passou pela mudança das nuvens, o azul claro fora substituído por um cinzento-escuro, a primeira gota cai-me nos lábios, como se me quisesse beijar, a segunda na face como que me pedindo desculpa por ser tão indiscreta, a terceira na ponta do nariz, a quarta e a quinta caiem em simultâneo, uma na testa, em sinal de respeito e a outra na palma da mão como que me acordando, os meus amigos correm para se abrigar, chamam por mim mas eu não quero parar esta sensação e digo que já os apanho. A chuva intensifica-se e eu começo a rir, não porque a insanidade me apanhou nas malhas da loucura, mas porque o meu corpo precisa de rir para compensar tantas lágrimas. Neste Mundo os motivos para sorrir são tão poucos ou a importância dada a esses motivos é tão fraca que senti essa necessidade. Ninguém se lembra mas um sorriso é uma arma tão poderosa como a bomba nuclear, exagero meu talvez, mas se todos sorríssemos mais, a vida decorreria de certa forma mais leve e solta, as preocupações aos poucos desapareciam, sendo substituídos por um novo fôlego de confiança e segurança em si próprios. O medo fugiria da verdade, e a mentira alcançaria os falsos testemunhos. Em compensação a mentira não iria ser crucificada, pois sem ela não se diferencia a verdade.

O mundo deixou de ser simples a partir do momento em que o homem fez frente á Natureza, a ordem natural das coisas foi alterada e o planeta cedeu e ficou fragilizado. Mas prefiro não pensar nisso, é demasiado cansativo e o peso sobre as costas aumenta colossalmente. Prefiro antes apreciar o que me rodeia, o cheiro da maresia, as ondas a bater nos barcos que se encontram na margem, e a chuva que me ensopa o cabelo e me cola a roupa ao corpo de forma inocente. Como é agradável fugir dos pensamentos negativos por uma vez que seja, sem receio das consequências. A água acumula-se na minha face, deslizando para os lados, as gotas que caiem a minha volta formam uma das mais belas melodias do mundo ao tocar o chão, apenas com um único instrumento, mas tantos sons diferentes são produzidos no mesmo instante, o som intensifica-se e a sensação faz-lhe companhia nesta demanda crescente. Uma voz masculina ouve-se ao fundo, um sorriso inexplicável surge no meu rosto, mal se percebe as palavras que ele diz mas isso não impede o absurdo sorriso de orelha a orelha que apresento naquele exacto momento, e o meu consciente não compreende a reacção do meu corpo, a voz aproxima-se, está a chamar por mim, mas não entendo, outros já me haviam chamado, porque é que com esta voz é diferente? Porque é que o meu ritmo cardíaco aumentou de forma perceptível? Porque é que sorrio cada vez mais á medida que ele se aproxima? Porque? O consciente atinge o conhecimento que o meu inconsciente já sabia desde do princípio, eu conheço aquela voz, pertence ao homem mais importante na minha vida, ao que me faz sorrir todos os dias, que me ama pelo que sou, sendo incapaz de me etiquetar como outros já fizeram. A compreensão ilumina-me o olhar e sou feliz naquele exacto momento. Aproxima-se de mim, toca-me na mão e ajuda-me a levantar, beija-me da maneira mais doce possível e abraça-me carinhosamente, e sem grandes rodeios profere as seguintes palavras “Vamos para casa amor”.

Nesse mesmo instante, não tenho medo do futuro, não receio que o Mundo se abata sobre mim, não estou sozinha, e isso é o mais importante de tudo.

Amo-te

Obrigado por existires.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Saudade da infância



A estupidez apanha-nos desprevenidos sem aviso prévio ou sem um requerimento devidamente registado, relativo á parvoíce extrema. Coisas estranhas e no mínimo ridículas preenchem-nos a mente, apenas para nos tirar o sono á noite. A insegurança acumula-se de forma desajeitada ao singular, e a capacidade apreciativa degenera-se com o passar dos tempos. A criança dentro de nós reaparece apenas para se rir e mostrar que, quando somos pequenos as coisas são bem mais simples do que aparentam, mas o ridículo da humanidade, é que quando se é pequeno todos querem crescer para ser “grandes”, mas ninguém explica às ingénuas crianças que crescer, tem muito que se lhe diga. Não digo que seja mau, ter altura suficiente para chegar á prateleira das bolachas de chocolate, é um grande feito, ou ter força suficiente para rodar o manípulo da porta de saída, é importante na construção do eu, sem falar em alcançar aquela tão desejada altura para poder entrar naquele carrossel “proibido”, mas acho que dispensava isso tudo apenas para ser mais um adulto complicado, que vê problema em tudo o que mexe…

Tenho saudades, dos olhos iluminados que fazíamos quando as nossas mães nos ofereciam um kinder surpresa e nos saía um fatasminha que brilha no escuro, eu pessoalmente tinha a minha colecção privada, ter um bando de coisas luminosas no meu quarto era algo atractivo, ou os tazos, sendo que no tempo de intervalo juntava-me com os rapazes para trocar com eles os repetidos, ou seja, na maioria das vezes ficar sem eles… Sem falar da correria que era quando começava o dragon Ball Z, e cantávamos a música de abertura com grande entusiasmo, fazendo os cameamea com grande alvoroço gritando sempre que o Son Goku vencia o terrível mal. Ou ainda a Sailor Moon a gritar “Pelo poder do Prisma Lunar”, nunca cheguei a perceber o porquê do prisma, mas eu naquela altura sabia lá o que era um prisma, só sabia era que o mascarado me fazia suspirar por todos os lados isso sim… Bons velhos tempos, que deixam saudade ao mais bem pintado do Mundo, porque inocência como aquela não voltamos a ter…

Tudo isto para relembrar que a infância é uma das melhores fazes da vida… e devemos sempre aproveita-la ao máximo.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

E “PUMBA” toma lá um amor

Situações engraçadas são o que mais divertem o destino, esse gosta de se rir das situações que ele próprio cria sem se lembrar que muitas vezes andamos as aranhas por causa dos planos dele, mas lá no fundo, bem no fundo, naquele cantinho remoto e distante do coração só quer o bem da humanidade.


Já te tinha observado antes como é óbvio, e logo te tornaste um bom amigo, cheguei mesmo a pensar e a olhar-te como algo mais que um amigo, mas esse pensamento logo era perdido pelas diferentes dúvidas entre as quais que merecias muito mais do que aquilo que te podia dar, e que jamais em momento algum me olharias como rapariga que sou. Fui-te conhecendo e aprendendo a descodificar as tuas feições compreendendo os sorrisos, e percebendo as tuas piadas secas, ditas apenas quando alguém se encontrava triste, era a tua maneira discreta de animares quem te rodeia. Depois vieram as férias de Natal, período pelo qual sinto um natural ódio camuflado pelo aborrecimento, fizeste-me companhia, tivemos dias que começávamos a falar as 9h e só parávamos quando um dos dois se dava por vencido ao sono, geralmente era eu com hora habitual para dormir, passamos o ano Novo praticamente sempre a falar, e foste o primeiro a dar-me as boas entradas de 2011, comecei a afeiçoar-me cada vez mais, e a apaixonar-me por quem realmente eras, já me tinha apercebido de algo, quando de uma maneira bastante minuciosa comentaste a minha escrita. Escrevo á mais de 3 anos, e muitas pessoas já lerem os meus textos, desde professores a amigos meus... e nunca nenhum deles foi tão preciso como tu, deste a tua opinião e em meia dúzia de palavras desvendaste a minha maneira de pensar e compreendeste o motivo pelo qual escrevia assim, surpreendeste-me pela positiva e mostraste que podia confiar em ti.

Amo-te pelo que és mas apaixonei-me pela maneira como me vês.


E o destino ri-se á socapa sem querer saber do que fez, e agora ando com um sorriso ridículo na cara sem saber muito bem porque, ou constantemente a olhar o telemóvel a espera que me digas algo, é uma dependência, um vício, mas um vício saudável do qual não quero despegar… Adoro tudo o que fazes, a maneira como te ris, a forma como semicerras os olhos quando te beijo de surpresa, o facto de estares continuamente a dizer que me amas, e mais do que tudo, me amares da maneira que sou… És como chocolate com pimenta, doce e meigo como só um namorado maravilhoso poderia ser, mas com um toque de pimenta para alegrar a situação, com essa marotisse que te caracteriza, que me faz rir sem motivo aparente. Os sonhos preenchem-me a mente e tu és sempre o actor principal, culpa tua que não me sais do pensamento.

É engraçado como para escrever sobre tantas e variadas coisas sem significado, comparado a este tema, as palavras transbordam numa cascata imensa, mas agora para falar do que sinto do que penso, as palavras embatem sobre um muro e não têm força suficiente para o ultrapassar, a insuficiência do transparecer do sentimento faz me sentir incapacitada, mas talvez apenas porque o sentimento seja de tal modo grande que não existam palavras para o descrever. Estou feliz, sinto-me feliz e quero estar feliz, contigo sinto-me assim.

Amo-te Shiruba

Sem qualquer outro heterónimo

Vera Silva