Quantas vezes não olhei para trás,
e vi-me só, na crueldade,
lembrando a memória sagaz,
que não corresponde à realidade.
Quantas vezes não amei,
não sonhei e desesperei,
apenas por um sorriso teu,
que até agora não fora meu.
Quantas vezes ganhei asas,
com risadas despegadas,
que formam doces canções,
como um amontoado de harpas.
Quantas vezes me emocionei,
só de olhar teus olhos achei,
que parar iria meu coração,
partido na palma da mão.
Quantas vezes me odiei,
a desgraça que estudei
porque em segredo te amei,
no puro pecado me apaixonei,
e sozinha assim fiquei.
Quantas vezes falei sozinha,
de um canto abandonada,
lágrimas na face minha,
choravam a falsa hipocrisia.
Quantas vezes não parei,
e assim me virei,
esperançada que ali estivesses,
e com teus braços me rodeasses.
Quantas vezes não pensei,
que eu tudo te dei,
e quando mais precisava,
sumiste do mapa.
Quantas vezes, diz-me,
não te lembraste de mim,
na tortura eu me fiz,
pela ausência do teu sim!
Quantas vezes sonhei,
com um carinho teu,
mas sempre amuei,
pois não te lembras do que era meu.
Quantas vezes chorei,
E em vão assim fiquei,
Com a dor de uma traição,
De um Mundo de confusão.
Quantas vezes me esperanças-te,
com falsas esperanças,
no jogo que não jogaste
numa mascara cheia de manchas.
Quantas vezes me usas-te,
sem dor e com arte,
num teatro que inventas-te,
no perpétuo passado que traçaste.
Quantas vezes me mentiste,
com falsidade mascarada,
sozinho dormiste,
no fio da espada.
Quantas vezes caminhei,
ao teu lado de mão dada,
em sorrisos me perdia,
como uma garota mimada.
Quantas vezes imaginei,
que contigo ficaria,
e assim eu tracei,
um futuro que me sorria.
Quantas vezes te apoiei,
sem pensar duas vezes,
jamais contestei,
uma fala tua.
Quantas vezes entristeci,
com ciúme inocente,
e na fúria em que vivi,
amei teu corpo e mente.
Quantas vezes te pedia,
para me tratares de outra forma,
as tuas palavras não media,
e na minha mágoa permanecia.
Quantas vezes não escutavas,
um concelho de amiga,
ocupado sempre estavas,
e esquecias de quem sentia.
Quantas vezes sentiste falta,
das minhas piadas sem graça,
do meu humor em alta,
do lado oposto da farsa.
Quantas vezes me disseste,
que me adoravas com calor,
e no inverno do teu humor,
eu te aquecia como se contente estivesse.
Quantas vezes me sorriste,
enganadoramente traiçoeiro,
mas por vezes o destino exige,
um carinho teu primeiro.
Quantas vezes me trocavas,
por uma companhia exterior,
que mais tarde ou cedo,
te traia com falso amor.
Quantas vezes sentada na praia,
imaginava com amor,
os momentos bem passados,
livres de qualquer pecado mor.
Quantas vezes inocentemente,
eu te seguia sem perguntar,
o porquê de nunca estares,
quando mais precisava que ficasses.
Quantas vezes te esquecias,
da minha ilustre presença,
e naquele momento pendia,
a tua inconsciência tensa.
Quantas vezes te falei,
do mais puro de antemão,
e tu incrédulo ameaçavas,
a possível separação.
Quantas vezes me avisaram,
que tu nada valias,
e na completa eloquência ,
eu tudo (sempre) te daria.
Quantas vezes me assustaste,
com supostas partidas,
e os segredos deixaste,
no fundo da vida.
Quantas vezes me perguntei,
porque tanto sofria,
e na esperança em que te amei,
descobri que meu coração assim o queria.
Quantas vezes eu fúria,
era capaz de te bater,
e com uma simples palavra,
fazias meu coração se enternecer.
Quantas vezes na consciência,
daquilo que julgava saber,
resguardavas-te da tua essência,
do amor no meu entender.
Quantos vezes sufocada,
gritava no silêncio,
da ilustre madrugada,
o cheiro forte a incenso.
Quantas vezes me confundi,
com aquilo que sentia,
mas estrategicamente assim,
eu com receio não te dizia.
Quantas vezes e por fim,
desejei te dizer adeus,
mas na cobardia (amor) que existe em mim,
jamais o conseguirei fazer.
***
(mas isso foi passado)
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