domingo, 9 de março de 2014

A Primavera


A luz pisca mas é um engano da mente, são os olhos que piscam enquanto a vida corre, o mar desmaia em suaves ondas ao meu redor e penso o porque de não querer escrever, será do tempo ou falta dele nas noites em claro que passo a olhar o vazio, saber não sei ou será que sei?
A luz machuca e a sombra atrai-me não por malícia ou desconforto apenas porque é segura e previsível, ao sol o perigo apronta-se e as miragens surgem. Há lugares na mente que nunca deveríamos visitar e consoante a previsibilidade dessas visitas o mar atrai-nos e a necessidade de o visitar pesa. Não importa o quão avassalador o momento é, a sombra está sempre lá como uma criança pequena a lembrar-nos de que não podemos fugir e a mascara cai sem intenção e desmancha-se a teatralidade.
O silêncio engole tudo.
O corpo quebra, a dor abre-se como uma rosa na primavera e as pétalas dançam com o som tamborilante das lágrimas que deviam pesar mas não pesam, porque não existem, a dor gelou o coração e nem a exaustão sentimentalista que é o simples fato de chorar lhe é permitido, porque a emoção foi-se, a mente desprovida de sensações adorna o conceito medonho que é viver.
A amedrontada criatura exalta-se e remexe-se no assento de pregos de que é feito os seus pensamentos e a falácia reduz lhe a alegria a migalhas pegajosas, não há nada que a reanime ou sol que aqueça ou vida que a faça respirar, tudo é negro, tudo é nada.
Até que tu vens, silencioso e preocupado com a ruga entre olhos que censura a minha atitude, silenciosamente levantas me e abraças-me na escuridão soltando pequenos sussurros que embora não os perceba claramente o carinho com que me cantas é inconfundível e a solidez do gelo decompõe-se e a primavera surge em mim e degelo corrompe-me e as lágrimas surgem, a criatura ganha vida numa cascata de baba e ranho sem futuro aparente mas tu não me abandonas e lá permaneces juntando os cacos do que resta de mim filtrando as lágrimas do meu rosto e aquecendo a minha vida.

Como é bom voltar a Primavera.




quinta-feira, 25 de abril de 2013

Sussurro



E do nada se vive, como podre é a descrença em algo insólito ou revolto, como podre é a falsa propensão de se achar superior ao mais puro dos sentimentos, estúpida é a besta que assume que, por ser mau, poder obtém. Não passa de uma criança mimada, abismada com a fome da vida que se acha engraçada por fumar um cigarro queimado.

E assim como um monte de cravos pretos deixados sobre um moribundo sozinho numa capela em frente ao mar, se vai o carinho, a meiguice, enterrando tudo bem fundo onde nem as raízes da árvore mais forte alcançam. E lá vem o monte de punhais esfaquear-me, pôr-me os músculos à mostra e espicaçar-me, como se disso dependesse a sua vida. Ouço o sangue cair numa poça, o som é oco e gutural, raspando ao de leve o macabro. Mas nada sinto, nada causa reação em mim, e isso nem é bom nem mau, apenas seguro e frágil. Como as mãos de uma criança pende a minha sanidade que sem segredo ou pertença se autodestrói com ecos do passado, para alguns leves sussurros, para mim gritos cortantes como lâminas de um talho antigo a cortar os meus ouvidos.

Estou exausta, a força acabou, a pressão caiu, o mundo terminou e nem o sol da primavera me espevita. A compreensão abate-se sobre mim e a vitimização olha-me de soslaio como me convidando para um copo na taberna da escuridão. Aceito-o porque a bengala é resistente e facilmente se adapta ao aconchego dos ossos esburacados da minha alma. Mas corrói demasiado e quando penso que a taberna já não me abriga, as portas fecham-se e uma poeira de porcaria (intitulada por nome obscuro) encara-me e detém-se, como esperando que lute, que enfrente, que me esmurre até sair deste nojo que ali vive. Mas não me levanto! Anos a lutar não deram em nada, porque haveria de pôr mais farpas de madeira suja nas palmas das mãos que já nem sei se minhas são? Deito-me, aconchego-me à depressão é bom desistir de tudo, é bom morrer por dentro e nada sentir, apenas é incomodativo as lágrimas límpidas que caem dos olhos meus.

Suspiro e desisto do meu lado negativo, porque o morto na capela em frente ao mar merece carinho, nem que seja por mais um dia. Levanto-me, mas logo escorrego na gosma gordurenta que se encontra no chão. Perdi a noção do tempo que estive no repouso da estupidez, a poeira cola-se aos meus pés e de tão partida que estou, arrasto-me, porque a voz teimosa não se cala e manda-me continuar. Queixo-me, cortes profundos surgem sobre os braços, e quando finalmente à porta chego, a poeira enfrenta-me, mas eu apenas tomo o caminho mais longo, sentindo o espezinhamento cru dos olhares mesquinhos de quem me julga e não conhece. Abro as portas como se isso me fizesse viver e o sol ataca-me, como a realidade ataca após um sonho perfeito. Estendo-me sobre o chão, s feridas doem como se sal fosse posto sobre elas, os olhos ardem, eu choro e o sol ri, porque voltei a viver.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Mistura de músicas


 
  Estava eu descansar num local de bonita visão quando sou assaltada por um pensamento extravagante e frustrado, esta música inicia a sua marcha por o meu cérebro a dentro sem permissão alguma, tocando em temas que a meses evito. O ser humano muitas vezes erra, e o que nos difere um dos outros é a maneira como emendamos esse erro, mas pior do isso é não admitir esse mesmo erro e santificar-se a si próprio em toda a sua existência mesmo (perdoem m a expressão ligeiramente forte) tendo sindo um pouco ou nada diabólica numa passagem antiga.
   Dias atrás disseram-me que a vida é injusta, mas ninguém considera ou reflete que todos somos injustos para a vida, quando esta não nos dá o que queremos, trapaceamos, insultamos, reclamamos, mas ninguém sabe o seu plano, e vejo me assim perdida numa outra musica, com ritmo diferente, que fez desta forma mudar o que penso, mudar o que acho importante, mudar de veneno para sabedoria impura que me trespassa as veias.
   Depois da tempestade vem a bonança, na minha opinião mais sincera, serei ser incompreensível por tal pensamento, mas eu cá prefiro a tempestade, a raiva e o ódio dominam-me, fazem-me sentir como que anestesiada, forte, poderosa capaz de enfrentar seres abomináveis que subsistem ao meu redor, que se apegam e não largam, que sugam a cor dos cabelos meus tornando-se grisalhos, que me roubam o sorriso que há muitos anos atras diziam ser bonito, vendem e revendem a tristeza que provocam, exibindo como se trofeus fossem de um campeonato há muito descreditado.
   Uma lagrima jorra com o fim da ultima musica, passeando sobre a face enroscando-se nos lábios que ao ouvirem o inicio da musica seguinte se entreabrem e relembram, a moça desajeitada e envergonhada, segurando um micro desajustado a situação, tentando cantarolar uma musica que cujo dono daquele coração mal tratado gostava, e assim sendo entre risos e voz tremida, la se conta e sente os bons momentos passados e tao raros daquela pequena moça, que voz não tinha para cantar.
   Lá vem a raiva, o odio, é bom ser mau por um momento, sozinho sem pessoas a volta, é bom, só há um senão, o raio da consciência persegue-nos, podia se distrair com alguma montra de bem-feitores e dar-nos descanso, mas não, esta sempre atras de um arbusto pronta a atacar, mas nem misericórdia tem, em vez de intervir antes de pensarmos em algo que não devemos, deixa-nos rejubilar com a sensação de sermos agressivos, mesmo que apenas em pensamento, para de depois de dar ao prazer de nos apanhar pela situação caricata do erro, amedrontada consciência não pudemos viver sem ela, mas não deixa de ser demasiado chata, faz-me lembrar não sei quem.
   Do nada e sem aviso aparente surge uma rapariga com os seus 8 anos, cabelos longos, com uma camisola de lã esbranquiçada, e uma saia axadrezada vermelha e preta, anda aos saltos parecendo um canguru, de repente pára como se a chamassem, apenas para o sentir o vento na face, os cabelos castanhos esvoaçam, e ela sorri de olhos fechados, descalça os sapatos pretos, mas com cuidado, mostrando preocupação por aquele objeto, corre esticando os braços imitando o som de um avião, parecendo uma maluquinha, mas contudo é livre, feliz, alegre. A inveja ataca-me, como queria eu ser aquela rapariga despreocupada, a responsabilidade pesa tanto, envelhece-nos, torna-nos seres incompreensíveis para aqueles que vivem a idade da inocência. Quero ser criança outra vez, não percebia metade das coisas e algo simples faziam-me sorrir, não era preciso um esforço demasiado grande todos os dias, para apenas esboçar um leve sorriso. Talvez aprenda a sorrir com outras coisas. (a musica termina) 

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Breather


É quando se esconde uma lágrima por entre tantas que frustradas se escondem, que se sente o tamanho da dor, pendente da ferida aberta que brota do coração melindrado sem cura, ou com cura demasiado longínqua, situada além da fronteira da cidade. A garganta fecha consumida com a sensação de desamparo existente da falta continua ao longo dos anos. O chuveiro flui sofre o meu corpo gelado, a água queima em contacto com a minha pele, frágil de extrema sensibilidade, e nesse tempo precioso as lágrimas deslizam misturando-se com a água que acaricia a pele, o choro esquece a desonra, perde-se na mágoa, mistura-se com a água doce que advêm do chuveiro, sem consentimento meu misturando-se numa cascata imaginaria que me faz sentir frágil perante olhares inexistentes.
Sem querer ver ou esperar na encruzilhada dos pensamentos a casa fica vazia e nos segundos que antecedem o ligar ao dono do meu coração a fim de chacinar as saudades que tanto me perturbam, ou falar com os amigos sobre uma saída passada, a atracção ao solo intensifica-se, como um hímen camuflado que na realidade existe, caio sobre o chão, os soluços apoderam-se do meu peito e voz, sem qualquer autorização ou pedido justificado por requerimento emocional. As lágrimas soltam-se como um louco fugido da prisão. Derramam-se sobre os tacos gastos pelo tempo da casa que não reconheço como minha, escurecendo as zonas onde a água salgada emudece.
A dor pesa pressiona-me o corpo, torna-se física, a respiração cessa como se o mundo ficasse sem ar, num segundo de loucura inesperada, um sistema de defesa há muito banido por descontrolo desmedido, acciona porque as circunstancias assim o exigem, o tempo pára, os relógios formam estátuas, a dor paralisa, a gravidade não existe mais, mas algo se passa, algo horrível se passa e eu não sei o que é, caminho até porta, com passos pesados, o silêncio é a única coisa que pesa um grito abafado trespassa me o peito, sobre os meus pés uma guerra rebenta, algumas das pessoas que mais amo deitados sem vida sobre um chão que não conheço, amigos lutam ao longe, fora do meu alcance como que se fosse a última batalha que travassem, corro mas não saiu do mesmo sitio como um pesadelo, o meu olhar é atraído para uma área especifica no meio do caos, a pessoa que mais amo deitado sobre o chão sem vida, os meus joelhos dobram-se sobre si, berros rompem da minha garganta como se fossem punhais, as veias dilatam sobre a pressão que exerço sobre mim os meus braços rodeiam quem é dono de mim, grito para que me leve também a pulsação aumenta o limite está a ser atingido, estou prestes a ceder, a minha mente não aguenta mais grito como um mudo gritaria se ganha-se voz.
Tudo pára.
Ouve-se o tictac dos relógios ao fundo, uma névoa difusa evapora-se aos poucos, vejo um tecto, as minhas mãos ainda tremem, as lágrimas ainda estão húmidas nas maças do rosto, o peito não dói mais, o choro cessou, tudo não passara de um sonho, tudo está bem. E no meio da estupidez da cena uma gargalhada solta-se, tudo está bem, tudo, agora vejo que são meros problemas que me assolam a mente, tudo pode ser resolvido, uma sensação de alivio apodera-se de mim, levanto me, lavo a face e os olhos magoados, respiro uma e outra vez fundo e ligo aos meus amigos, como se nada se tivesse passado, com um novo animo e pensado na sorte que tenho em ainda te ter.

Vera Silva

domingo, 28 de agosto de 2011

Dancing


E se numa dança pudesse demonstrar o que sinto seria raiva, amor ou esperança, uma dança de espadas recaídas numa atitude defensiva, tornando-me numa pessoa rabugenta e difícil, com passos cautelosos, ou passos apaixonados e intensos transmitindo o sentimento duplamente forte num contraste de atitude sublime, que enfatiza o ser mais neutral da história.

E se entre os rodopios da dança, lágrimas fossem esquecidas por entre os passos descoordenados que formam uma bonita coreografia, quem se sentaria na bancada feita de pedra e cal, para se dar ao trabalho de observar aqueles passos desnecessários incapazes de deslumbrar, apenas de sentir.

A dança estende-se com passos mais fortes e rápidos como se os golpes de dor me atingissem sempre que tocasse o chão, alguém ri á socapa, sem querer saber do que sinto, rindo do meu pesar, gargalhando da minha dor, troçando das minhas falhas gritando que não conseguirei…

 O sentimento de raiva preenche-me sentido a familiaridade da voz os movimentos alteram-se o corpo desdobra-se sem ordem do meu consciente, a paixão de cada passo intensifica-se, a musica altera, um sorriso forma-se na minha face, danço com vida, como se fosse a minha ultima dança como se tudo a minha volta fosse o palco, como se fosse o palanque da minha vida, como se tudo se resumisse a isso, a movimentos de diferentes partes do corpo, como se cada movimento bem executado fosse uma vitoria na vida real, o suor preenche me a face comprovando o meu esforço, a voz a criticar silencia não tendo voz altiva de dizer seja o que for, os músculos estão doloridos do esforço, mas é uma dor que me completa que me dá animo, mas as forças abandonam-me como que dizendo que o limite foi atingido, mas eu não quero parar não sendo isto que me mantém viva, e se parar afim descansar como poderei eu saber que terei forças para recomeçar…

 Num suspiro longo, as forças desaparecem por fim, sem aviso prévio ou explicação, o meu corpo tomba sobre o chão, exausto e realizado, tudo terminou tudo parou, as lágrimas surgem, como se uma derrota se tratasse, o ar deixou de circular dentro de mim, o batimento cardíaco cessou. É uma questão de tempo até que tudo desapareça e não de uma memoria apagada… e quando estou prestes a desistir de lutar pela vida, palmas se ouvem da bancada de pedra e cal, na qual apenas olhei uma vez, e apenas vi a única pessoa que me criticava, não vendo quem ao lado se sentava, quem agora batia palmas, quem agora gritava pelo meu nome, quem agora me dava os parabéns, quem esteve sempre lá a apoiar-me e eu simplesmente não via, cega estive este tempo todo, nunca estive sozinha, apenas não via quem me rodeava… a vida flui em mim de novo, a plateia aproxima-se erguendo-me do chão, dando-me o palco para que rodopie de novo, mostrando ao homem que me criticava quem sou, que nada do que ele me diga me atinge, que sou capaz de muito mais, e que tudo o que ele faça para me rebaixar apenas terá o efeito contrario, pois não estou sozinha…

sábado, 6 de agosto de 2011

Pesadelos que viram sonhos


A vida flui com sentido e norte, mas a realização embrenha-se numa espiral mortífera de desapontamento, sinto-me cansada sem forças, a vida já não flui em mim, abandona-me enquanto me desmorono sem aviso prévio ou informação meteorológica sobre o furacão de navalhas que se forma em parte incerta dentro de mim. As lágrimas escorregam sem consentimento dos olhos meus, a visão turva-se e os olhos fecham, como fechando a porta ao que me rodeia.
Adormeço quando menos espero, e o sonho prega-me partidas como se as partidas da vida não chegassem, o corpo cai sem folgo ou ar num abismo de dor e mágoa, a culpa pesa-me e quase me esmaga, o som das vozes a julgar-me pressiona-me no vazio, ouvindo-se cada vez mais alto, o som de derrota que embala a dor no meu peito, as lágrimas formam poças no chão gélido. A vida abandona-me aos poucos, fico feliz, é o melhor final que naquele momento imagino, o fim de tudo é agradável, não alcançarei a felicidade mas ao menos a dor não me pressiona mais.
As mãos tremem como se de frio sofressem mas nem a simples sensação de frio tenho direito, tudo é nulo, não existe cor apenas formas. Está quase a acabar nada existirá depois disto, talvez vá nascer de novo e recomeçar tudo de novo, talvez, tudo é possível.
Mas quando estou preste a dar o último suspiro, algo muda, um rasgo de luz choca-me a visão, algo quente me envolve, aconchegando a algo familiar, és tu, vieste por mim, vieste secar as lágrimas intermináveis, vieste vaporizar a solidão, vieste afastar a magoa dos pensamentos com palavras doces e fazer-me cócegas com a barba no pescoço, aqueces me o coração que julgava perdido, vieste dar cor ao que me rodeia, dando me força para enfrentar o fracasso és tu, que sem me julgar ou criticar me amas com todos os meus defeitos, e mesmo assim duvidas da importância que tens para mim. És o meu amparo, a minha alma gémea, que sabe o que me dizer na altura devida as palavras que preciso, que sabe o que fazer quando estou nervosa, que sabe o que preciso quando estou carente, que me compreende quando digo algo inadequado á situação, que sabe o porquê de um momento para outro numa conversa banal os meus olhos se encherem de lágrimas.
Quero te fazer feliz todos os dias da tua vida quero te fazer sorrir todos os dias da tua existência, que apenas chores de alegria, que te apoies na pessoa que te ama profundamente e que daria a vida por ti, que te dá na cabeça quando precisas mas que o faz sempre para o teu bem. Amo-te pelo que és, pela forma como sorris, da maneira que te ris das minhas piadas, de como me ouves a falar de twilight mesmo achando-os homossexuais, de como semicerras os olhos quando estas alegre ou o sol te apanha desprevenido, de como devoras frango, ou a salada temperada a teu gosto, de como não me olhas nos olhos quando me estas a esconder algo ou a preparar uma surpresa, de como ficas pensativo e preocupado comigo mas não o demonstras apenas para não me afligir. Como poderia eu não te amar? És mais do que imaginei, e ultrapassas o que eu pedi, amo-te profundamente e iremos ultrapassar as saudades e a distância meu amor. Nunca duvides disso.
O sonha acaba é de dia, e levanto-me na esperança de ter nos meus braços por um momento que seja. Pois existem pesadelos que viram sonhos e sonhos que viram realidade.
Vera Silva

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Pensamento criticável

O poder que preenche as veias envenena-te a alma com um sorriso malicioso sem querer saber se te importas ou não. A fúria consome os teus desejos e és inofensiva perante tal inimigo aliado, que se ri á socapa das tuas desventuras aventuradas, sem compreender o estratagema da estrutura física subentendida nas linhas do destino, sem compreender a existência das falácias presumíveis do teor contraditório que é a vida.


E vê se aqui alguém perdido na incompreensão da salgalhada que é a minha escrita opinando sobre aquilo que não compreende e nem sente podendo ou não gostar do que aparento escrever, dando por vezes (alguns) palpites dignos de animais irracionais e sem um pingo de decência, nesse organismo grotesco que habita um amontoado de ossos pegajosos falantes. Desculpa os termos utilizados, mas a informalidade abunda no teor da carnificina quando este não é exposto na forma devida.

A liberdade de expressão é uma bênção dos céus que quando mal utilizada desabrocha numa cruel e efémero prazer de criticar na ignorância do seu ser, o objecto de um sentimento que não poderá compreender por ser demasiado hipócrita, e se me permite o termo, um asno com voz de homem, ou fotocópia de homem porque nem de homem é lhe possível chamar. É fácil ridicularizar algo, quando não se tem nada a apresentar ou a dar á sua volta, acha-se por si só o melhor do mundo e não passa de um indivíduo com demasiado tempo livre e desequilibrado intelectualmente e sentimentalmente que possivelmente passa os dias a criticar tudo o que seja superior a ele que neste caso é quase tudo, talvez por acaso assim só de passagem seja superior a um monte acabado de defecar de derivados fisiológicos… mas pensado bem… esse mesmo monte servirá em alguma altura para fertilização de um solo qualquer, e esse mesmo individuo de tão tóxico e impróprio para a saúde pública nem para esse efeito serve.

Quando a vós criaturas obscenas vos subir um arrepiozinho pelo rabo a cima que por conseguinte vos dê uma vontade louca de criticar de forma animalesca tudo a vossa volta, experimentem o seguinte, encham a banheira de água mergulhem a cabeça mantendo-a lá, e contem de forma pausada até 38573634254, vão ver que a vontade passa, mas como devemos poupar a água nesta altura do ano, que tal mergulhar numa fossa e passar lá o mês.

Deixem de ser crianças intoleráveis, as vossas mães não vos aturam por algum motivo. E só paro que conste eu aceito criticas construtivas e chego mesmo a publicar, não aceito infantilidades vossas.

Outra coisa antes que me esqueça, escusam de tentar comentar, os vossos comentários não irá aparecer o blog sem minha supervisão.



Com os melhores bofetões e inexistência de respeito.



Speak to the hand

sexta-feira, 4 de março de 2011

Sob a chuva

Ao fim de 4 horas seguidas a jogar basket, naquele campo improvisado a beira-rio, deito-me sobre o chão composto por uma mistura de terra e areia e observo o céu. Sinto-me cansada mas contente, não por ter ganho ou perdido, apenas porque sim. Olho o céu, não sei quanto tempo passou, apenas me apercebi que passou pela mudança das nuvens, o azul claro fora substituído por um cinzento-escuro, a primeira gota cai-me nos lábios, como se me quisesse beijar, a segunda na face como que me pedindo desculpa por ser tão indiscreta, a terceira na ponta do nariz, a quarta e a quinta caiem em simultâneo, uma na testa, em sinal de respeito e a outra na palma da mão como que me acordando, os meus amigos correm para se abrigar, chamam por mim mas eu não quero parar esta sensação e digo que já os apanho. A chuva intensifica-se e eu começo a rir, não porque a insanidade me apanhou nas malhas da loucura, mas porque o meu corpo precisa de rir para compensar tantas lágrimas. Neste Mundo os motivos para sorrir são tão poucos ou a importância dada a esses motivos é tão fraca que senti essa necessidade. Ninguém se lembra mas um sorriso é uma arma tão poderosa como a bomba nuclear, exagero meu talvez, mas se todos sorríssemos mais, a vida decorreria de certa forma mais leve e solta, as preocupações aos poucos desapareciam, sendo substituídos por um novo fôlego de confiança e segurança em si próprios. O medo fugiria da verdade, e a mentira alcançaria os falsos testemunhos. Em compensação a mentira não iria ser crucificada, pois sem ela não se diferencia a verdade.

O mundo deixou de ser simples a partir do momento em que o homem fez frente á Natureza, a ordem natural das coisas foi alterada e o planeta cedeu e ficou fragilizado. Mas prefiro não pensar nisso, é demasiado cansativo e o peso sobre as costas aumenta colossalmente. Prefiro antes apreciar o que me rodeia, o cheiro da maresia, as ondas a bater nos barcos que se encontram na margem, e a chuva que me ensopa o cabelo e me cola a roupa ao corpo de forma inocente. Como é agradável fugir dos pensamentos negativos por uma vez que seja, sem receio das consequências. A água acumula-se na minha face, deslizando para os lados, as gotas que caiem a minha volta formam uma das mais belas melodias do mundo ao tocar o chão, apenas com um único instrumento, mas tantos sons diferentes são produzidos no mesmo instante, o som intensifica-se e a sensação faz-lhe companhia nesta demanda crescente. Uma voz masculina ouve-se ao fundo, um sorriso inexplicável surge no meu rosto, mal se percebe as palavras que ele diz mas isso não impede o absurdo sorriso de orelha a orelha que apresento naquele exacto momento, e o meu consciente não compreende a reacção do meu corpo, a voz aproxima-se, está a chamar por mim, mas não entendo, outros já me haviam chamado, porque é que com esta voz é diferente? Porque é que o meu ritmo cardíaco aumentou de forma perceptível? Porque é que sorrio cada vez mais á medida que ele se aproxima? Porque? O consciente atinge o conhecimento que o meu inconsciente já sabia desde do princípio, eu conheço aquela voz, pertence ao homem mais importante na minha vida, ao que me faz sorrir todos os dias, que me ama pelo que sou, sendo incapaz de me etiquetar como outros já fizeram. A compreensão ilumina-me o olhar e sou feliz naquele exacto momento. Aproxima-se de mim, toca-me na mão e ajuda-me a levantar, beija-me da maneira mais doce possível e abraça-me carinhosamente, e sem grandes rodeios profere as seguintes palavras “Vamos para casa amor”.

Nesse mesmo instante, não tenho medo do futuro, não receio que o Mundo se abata sobre mim, não estou sozinha, e isso é o mais importante de tudo.

Amo-te

Obrigado por existires.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Saudade da infância



A estupidez apanha-nos desprevenidos sem aviso prévio ou sem um requerimento devidamente registado, relativo á parvoíce extrema. Coisas estranhas e no mínimo ridículas preenchem-nos a mente, apenas para nos tirar o sono á noite. A insegurança acumula-se de forma desajeitada ao singular, e a capacidade apreciativa degenera-se com o passar dos tempos. A criança dentro de nós reaparece apenas para se rir e mostrar que, quando somos pequenos as coisas são bem mais simples do que aparentam, mas o ridículo da humanidade, é que quando se é pequeno todos querem crescer para ser “grandes”, mas ninguém explica às ingénuas crianças que crescer, tem muito que se lhe diga. Não digo que seja mau, ter altura suficiente para chegar á prateleira das bolachas de chocolate, é um grande feito, ou ter força suficiente para rodar o manípulo da porta de saída, é importante na construção do eu, sem falar em alcançar aquela tão desejada altura para poder entrar naquele carrossel “proibido”, mas acho que dispensava isso tudo apenas para ser mais um adulto complicado, que vê problema em tudo o que mexe…

Tenho saudades, dos olhos iluminados que fazíamos quando as nossas mães nos ofereciam um kinder surpresa e nos saía um fatasminha que brilha no escuro, eu pessoalmente tinha a minha colecção privada, ter um bando de coisas luminosas no meu quarto era algo atractivo, ou os tazos, sendo que no tempo de intervalo juntava-me com os rapazes para trocar com eles os repetidos, ou seja, na maioria das vezes ficar sem eles… Sem falar da correria que era quando começava o dragon Ball Z, e cantávamos a música de abertura com grande entusiasmo, fazendo os cameamea com grande alvoroço gritando sempre que o Son Goku vencia o terrível mal. Ou ainda a Sailor Moon a gritar “Pelo poder do Prisma Lunar”, nunca cheguei a perceber o porquê do prisma, mas eu naquela altura sabia lá o que era um prisma, só sabia era que o mascarado me fazia suspirar por todos os lados isso sim… Bons velhos tempos, que deixam saudade ao mais bem pintado do Mundo, porque inocência como aquela não voltamos a ter…

Tudo isto para relembrar que a infância é uma das melhores fazes da vida… e devemos sempre aproveita-la ao máximo.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

E “PUMBA” toma lá um amor

Situações engraçadas são o que mais divertem o destino, esse gosta de se rir das situações que ele próprio cria sem se lembrar que muitas vezes andamos as aranhas por causa dos planos dele, mas lá no fundo, bem no fundo, naquele cantinho remoto e distante do coração só quer o bem da humanidade.


Já te tinha observado antes como é óbvio, e logo te tornaste um bom amigo, cheguei mesmo a pensar e a olhar-te como algo mais que um amigo, mas esse pensamento logo era perdido pelas diferentes dúvidas entre as quais que merecias muito mais do que aquilo que te podia dar, e que jamais em momento algum me olharias como rapariga que sou. Fui-te conhecendo e aprendendo a descodificar as tuas feições compreendendo os sorrisos, e percebendo as tuas piadas secas, ditas apenas quando alguém se encontrava triste, era a tua maneira discreta de animares quem te rodeia. Depois vieram as férias de Natal, período pelo qual sinto um natural ódio camuflado pelo aborrecimento, fizeste-me companhia, tivemos dias que começávamos a falar as 9h e só parávamos quando um dos dois se dava por vencido ao sono, geralmente era eu com hora habitual para dormir, passamos o ano Novo praticamente sempre a falar, e foste o primeiro a dar-me as boas entradas de 2011, comecei a afeiçoar-me cada vez mais, e a apaixonar-me por quem realmente eras, já me tinha apercebido de algo, quando de uma maneira bastante minuciosa comentaste a minha escrita. Escrevo á mais de 3 anos, e muitas pessoas já lerem os meus textos, desde professores a amigos meus... e nunca nenhum deles foi tão preciso como tu, deste a tua opinião e em meia dúzia de palavras desvendaste a minha maneira de pensar e compreendeste o motivo pelo qual escrevia assim, surpreendeste-me pela positiva e mostraste que podia confiar em ti.

Amo-te pelo que és mas apaixonei-me pela maneira como me vês.


E o destino ri-se á socapa sem querer saber do que fez, e agora ando com um sorriso ridículo na cara sem saber muito bem porque, ou constantemente a olhar o telemóvel a espera que me digas algo, é uma dependência, um vício, mas um vício saudável do qual não quero despegar… Adoro tudo o que fazes, a maneira como te ris, a forma como semicerras os olhos quando te beijo de surpresa, o facto de estares continuamente a dizer que me amas, e mais do que tudo, me amares da maneira que sou… És como chocolate com pimenta, doce e meigo como só um namorado maravilhoso poderia ser, mas com um toque de pimenta para alegrar a situação, com essa marotisse que te caracteriza, que me faz rir sem motivo aparente. Os sonhos preenchem-me a mente e tu és sempre o actor principal, culpa tua que não me sais do pensamento.

É engraçado como para escrever sobre tantas e variadas coisas sem significado, comparado a este tema, as palavras transbordam numa cascata imensa, mas agora para falar do que sinto do que penso, as palavras embatem sobre um muro e não têm força suficiente para o ultrapassar, a insuficiência do transparecer do sentimento faz me sentir incapacitada, mas talvez apenas porque o sentimento seja de tal modo grande que não existam palavras para o descrever. Estou feliz, sinto-me feliz e quero estar feliz, contigo sinto-me assim.

Amo-te Shiruba

Sem qualquer outro heterónimo

Vera Silva

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Que é feito do romantismo?

Há dias levantaram a questão do “romantismo”. O assunto surgiu num parágrafo de uma crónica escrita por um amigo meu. Aquilo mexeu comigo e de certa forma espevitou a parte argumentativa do meu cérebro.


A palavra “romantismo” é muitas vezes associada a uma determinada data do ano, a que muitos apelidam de “dia dos namorados”. Eu não tenho nada contra, aliás tenho de me lembrar de abrir uma barraquinha de ursos pindéricos e de velas estragadas (sem falar na lingerie sintética ou comestível, o que for mais piroso) sempre dá para arranjar uns trocos para comprar umas meias com corações cor-de-rosa.

“Romantismo”,infelizmente, tornou-se sinónimo de consumismo, assim como o Natal. Se perguntarem a um rapaz como é que ele pode ser romântico a resposta natural será “comprar umas flores”, “comprar uma prenda”, “pagar um jantar”, e tudo o que mais incluir as palavras “comprar” e “pagar”. Será que alguém se lembra do real significado de ser romântico? Acreditem, é possível ser-se romântico sem gastar grande coisa, por exemplo, ao invés de “pagar” o jantar porque não cozinhar para ela? O mesmo se processa ao contrário. Ao invés de comprar um urso gigante de peluche (e eu até gosto de peluches) porque não lhe tocar uma música em piano, guitarra, ou até cantar se tiver voz para isso? Ser-se criativo é o grande segredo do romantismo, saber como surpreendê-la é o que mantêm a relação dinâmica. Não digo que receber prendas não seja bom, mas é triste lembrar-se apenas disso um dia por ano, e muitas vezes apenas pelo estatuto social de poder afirmar que “eu recebi isto…” e “ele/ela ofereceu-me aquilo”. A vida não é tão bela como um romance, mas fazer um esforço para a tornar similar a algo tão belo é o que torna a vida a razão para se lutar.

O romantismo não é apenas o receber, é o dar sem pensar em receber, o problema é que isto é para levar à letra e não apenas como um slogan de uma campanha natalícia.

domingo, 21 de novembro de 2010

O complicado sentimento

E se entre o pestanejar de uma pomba branca,
Visses a terra e o mar.
Sem querer olhar para dentro dela,
Apreendesses a amar.
Maldição apaixonada,
Incongruências do coração.
Um cheiro a nada
E um sabor a paixão.
Num olhar sedutor,
Um sentimento de ardor,
No peito um calor,
Diz-me se isso não é amor.
Não saber o teor,
É algo frustrante e constrangedor,
O ler o sentimento,
Com demasiado encantamento.
Por vezes causa dor e sofrimento.
E de sofrer ando eu farta.
É com ler, sem perceber nada.
Patifaria do destino,
Que engalhofou comigo.
Incompreendida a rendição,
Deste temeroso amar,
É dada sem razão,
Ao atordoado olhar.
Assim se encaixilha o espectáculo da vida,
Que sozinho desatina,
Na esquecida fantasia.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O meu Mundo


Vem… Hoje quero-te mostrar o meu Mundo, lá não há horários, limites, regras, tristezas ou fraquezas, lágrimas, irritação, não existe medo. Vem… que eu ensino-te a voar, segura a minha mão e não te irás perder. Fecha os olhos, respira fundo, mas devagar, vem comigo á terra do nunca ou de sempre. Sem que o teu coração desabroche, deixa-te levar e acredita na vida. Descobre que a felicidade não se encontra em atingir os objectivos, mas no longo caminho que percorres para lá chegar… No meu Mundo uma melodia preenche o ar, é discreta mas alegre, o mar é a minha cama, as rosas a minha almofada e o vento, o meu cobertor. Está sempre sol, sendo este, por vezes substituído por um véu de estrelas com um diamante ao centro, que muitos apelidam de lua. Sou livre, calorosa e feliz, sou em própria sem me conter ou me preocupar com o que quer que seja, canto apenas porque me apetece, e os objectos ao meu redor não se queixam da minha voz, danço descalça sobre a relva macia, ou sobre a areia suave, rodopiando com um sorriso inocente na face. O vento brinca com o meu vestido branco e atira-me o cabelo contra a cara, fazendo cócegas. A água banha-me os pés, parecendo que os beija delicadamente, e quando mergulha nela observo a transparência desta, límpida e pura, ingénua e inocente. Pareço uma criança feliz, constantemente a sorrir e a rir. Corro para o baloiço e mais uma vez sinto o vento acariciar a minha pele, balançando-me de um lado para o outro, sem parar, até que o sono me assalta, roubando-me a consciência e mergulhando na inconsciência… hoje apeteceu-me revelar-te o meu Mundo. Espero que tenhas gostado.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Confusão de palavras

Há pensamentos que por mais importância que lhe dermos nunca, jamais, em momento algum o diremos a pessoa em questão. A filosofia da vida é algo que não pretendo apreender, dá muito trabalho e demais a mais, prefiro eu própria escrever a minha lógica baralhada, a seguir abençoados passos de alguém que nunca chegou a ser perfeito. Peço desculpa pelo absurdo da frase mas a conjectura do segredo assim me obriga, e o descaramento que contenho em défice é demais abstracto para a compreensão total do raciocínio.


Todos os dias impingi-nos de regras implícitas, na maneira como vivemos. Somos obrigados a seguir regras que de tão habituados que estamos nem damos conta, no que comemos, no que dizemos, no que vestimos… A quantidade, o preço, a qualidade, foram tudo coisas inventadas pelo homem, para nos facilitar a vida dizem uns, eu cá não sei, há coisas que apenas servem para complicar, pois o ser humano é um ser complexo, e muito inteligente, aliás, super inteligente, por alguma razão temos o planeta em tão bom estado, a riqueza tão bem distribuída assim como os alimentos, a economia mundial encontra-se bastante solidificada e dá-se mais importância ao tráfego, na construção da terceira ponte, do que aquela noticia sem ênfase algum sobre o pequena subida de 5mil pedidos de refeições para 62MIL PEDIDOS, nem sei porque estou a gastar espaço do meu texto com esta noticia… é muito mais importante saber-se quantos frangos foram atirados ao Roberto.

E no fim disto tudo vêm com uma falsa máscara cantar ao palco sem luzes (ou com luzes a mais) da chamada TV, declarar seus inúmeros feitos, (em sua actual residência) que foram imensos, chegando até para encher uma mão de nada e outra de coisa nenhuma, orgulho da nação. Perdão, percalço meu, esqueci-me de referir as contas nos paraísos fiscais, que são sem dúvida uma demonstração de confiança na actividade bancária do nosso país. Patriotismo extaseante.

Sendo eu inocente nestas andanças pergunto de forma directa, se possível, o porque de tantos segredos na divulgação de assuntos importantes á sociedade? Ninguém vos pediu para se candidatarem, mas ao candidatarem tenham algum respeito por quem erradamente vos escolheu, devem o vosso salário e as viagens a borla e roupa grátis, e os almoços a borlix e os jantares a pala, e as festas a calote. Por isso, se não for pedir muito vejam lá se fazem algo de bom por nós, meras mulas de trabalho escravo e mal pago.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Hoje não me apetece sorrir

Não é que queira chorar, apenas a vontade de sorrir desvaneceu-se como o pó que se levanta num dia de temporal, não me apetece fazer a vontade a quem se senta ao meu lado e me diz para rir, pois a vida é repleta de coisas boas, tretas, é o que são, dramatismo meu ou pseudo desentendimento do eu pessoal, que destrói por dentro o coração que é composto por uma imensidão gigantesca de coisa nenhuma, e eu aqui, encostada ao parapeito a pensar no dia de amanha que não quero que venha, pois não te terei aqui ao meu lado, para me abraçar me confortar, não precisas de dizer ou fazer nada, apenas sentir a tua face encostada a minha ou os teus braços em redor do meu corpo, sentir a tua respiração no meu cabelo. Como disse antes, não te conheço, e se te conheço quero te esquecer ou então prefiro pensar assim e sentir o oposto.

sábado, 25 de setembro de 2010

O carinho das coisas pequenas

E se um punhal feito de dor perfurasse o centro do meu ser, e se a magoa e a tristeza se unissem num âmago fechado, e se sol se esquece-se de mim e eu sozinha, dormitando sobre a relva macia, fechasse os olhos cansados de jorrar lágrimas e sonhasse. Algo belo, simples e imperfeito, algo que pudesse construir, aperfeiçoar, e nunca acabar, mas se acabasse, haver algo ainda mais promissor e com um grau de dificuldade bastante superior, desafiando o meu intelecto, e assim fosse até ao fim dos tempos ou até que sol deixasse de existir para me acordar, ou vento para me lembrar (a meio da noite) que já se faz tarde, e que terei de ir para aquele sitio que muitos apelidam de “casa”.


As lágrimas secaram, formaram traços na minha face, e tal é a frieza da lágrima que esta congelou mesmo no meio da maçã do rosto. A lua com um sopro aquece-me o corpo, beija-me a face com carinho, como se sua filha fosse, e as minhas supostas irmãs, as estrelas, brincam comigo formando figuras no céu,

Mas tenho de voltar, não sarda o sol lembrasse de mim, e volta do seu passeio para me vir fazer cócegas pelas costas. Despeço-me da lua, e desejo-lhe um bom sono, eis então que algo me atravessa a visão… Acordo, de tantos “se’s” esquecera que de facto adormecera, e um raio de sol maroto brinca com a ponta do meu nariz, de tudo que este mundo tem, é grandioso dar pela presença das coisas mais pequenas.

Leonor Norte

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Fenix da vida

O fogo é algo gélido, comparado com o ardor do ódio compulsivo e indisfarçável, penetra na mente humana como uma erva daninha e danifica tudo o que existe de bom dentro de nós, boas recordações, amizades passadas, tudo é envolvido numa cinza permanente e mortiça, sem qualquer sinal de vida, uma personificação barata, mas talvez a mais próxima das trevas do mundo obscuro.

Mas o mais belo de todos os fogos, é o renascer das cinzas, com uma Fénix elaborada para aquele momento perfeito e indescritível, sem barreiras ou leis que a impeçam de ser quem é, essa sim, é das proezas mais belas que o mundo tem, sem qualquer inquietação pelo mundo que o rodeia, apenas preocupar-se com o irromper á superfície no meio do caos, apenas porque nasceu tornar-se a mais belas das coisas nem que seja por uma fracção de segundo, e tudo a nossa volta se torna fundamental para a clareza da mente humana.

O fogo consome as veias, o poder explora-nos a mente, e a vontade envenena-nos o coração, querer ser algo, querer ser alguém, querer ser mais e melhor, é isso que nos torna a máquina do mundo, que nos coloca no topo da cadeia alimentar, que nos impele a subir mais alto e a ser o que hoje somos.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O beijo


Vou te explicar, oh tu que nem sei se existes, ouve-me com atenção e não finjas ter medo, pois se falo, faço-o com o coração.

Um beijo é algo mágico, algo que se conquista aos poucos, pedacinho por pedacinho, de forma doce e apaixonada, saboreando de forma suave e meiga sem interrupções, e naquele momento, naquele exacto momento nada mais importa a não ser o toque daqueles lábios suaves e quentes, tal como assinatura cada um tem seu, todos diferentes e todos de alguma forma especiais.

Perdoem-me a falta de jeito, a minha mísera escrita não é capaz de transpor para o papel a sensação que um dia penso ter, ou imagino ter, pois o pensar misturou-se com o imaginar e o sonho tirou férias para a ilha da inconsciência, azar da consciência sente-se sozinha sem o sonho, mas não tem inveja, as férias mais longas ainda lhe pertencem a ela.

E sim, acredito que existes, apenas não sei se te conheço.

Boa noite Anjo da guarda, obrigada por me ouvires.

sábado, 11 de setembro de 2010

2009/2010

Quando iniciei este ano lectivo 2009/2010, a minha auto-estima encontrava-se reduzida a cinzas, reprovar por meio valor era algo que me deixava tremendamente desiludida. Já conhecia quase toda a gente de vista, mas não tinha uma relação de amizade em particular com ninguém. Nunca fora muito social, e pensei desde do princípio que este ano seria igual a tantos outros, mas felizmente enganei-me.
Conheci além da vista e mais perto do coração, aqueles que se tornaram grandes amigos meus, e que hoje são o motivo pelo qual escrevo esta mensagem, a saudade que irei sentir daqueles que me apoiaram incondicionalmente, sem nunca me virar as costas, sempre com um sorriso na face quando precisava. São amigos que deixaram uma marca profunda no meu coração, uma marca positiva pela qual sinto um grande orgulho em a ter. Todos os momentos que passamos, as discussões, as brincadeiras, as birras em tirar fotos, as lutas de chantilly, os almoços no ”Cidade Porto”, as festas de anos feitas a pressa, as surpresas, as conversas no De light, a partilha dos lanches, as discussões sobre o tabaco, as conversas sobre personagens da Disney (Barbie, capuchinho vermelho, lobo mau, Pocahontas, Rapunzel, João Pé de feijão, elfo, duende, etc.), de tudo isso vou sentir falta.

São amigos que nunca irei esquecer, cada um á sua maneira, mas todos de uma maneira especial, estarão dentro do meu coração, é um pouco lamechas eu sei, mas é sincero.

Obrigada por este ano.

E felicidades para todos :)

Vera Silva

domingo, 5 de setembro de 2010

Noiva

Olhares indiscretos observam-me enquanto corro, avaliando a minha sanidade mental, de certo modo até compreendo o porquê dessa reacção. O que iria eu pensar se visse uma jovem com os seus 24 anos, vestida de noiva, com as mãos apanhar as vestes que caso contrário se arrastariam pelo chão, a correr em plena avenida, entre as duas vias rodoviárias, seguida a alguns metros de distância pelas damas de honor que a chamam de modo enérgico e histérico? Sinceramente não sei, mas daria sempre o benefício da dúvida àquela desconhecida.
O véu que me cai pelos cabelos, impecavelmente penteados e estrategicamente ondulados para a ocasião, desprende-se com a agitação do corpo, perdendo-se no chão frio de betão, os pés não são suficientemente rápidos, causando um sentimento de desespero irracional, e num ímpeto de angústia alarmante descalço-me deixando os dois sapatos brancos perdidos entre os carros que passam, fazendo-me lembrar a Cinderela, mas ao contrário dela eu não fujo do meu príncipe, vou ao encontro dele para quebrar a incompreendida superstição.
O motivo pelo qual corro é para salvar a minha razão de viver, aquele pelo qual nutro um amor sem igual, e que tudo daria pela sua vida, um amor irracional e talvez por isso muito mais intenso, o meu noivo.
A minha respiração torna-se ofegante, a pulsação do meu peito acelera, o vento fustiga-me a cara, os olhos ardem e como consequência transbordam de néctar salgado, o vento brinca com o meu vestido obrigando-o a ficar para trás dando a ilusão de que sou provida de asas, ouço o meu nome ser chamado nas minhas costas mas não me importo, nada importa quando o motivo central da nossa existência está em risco.
Tudo isto apenas porque a superstição me decidiu assaltar no dia mais feliz da minha vida, porque é que as entranhas do sobrenatural me tinham de visitar hoje, logo hoje, o dia do meu casamento.

Excerto de um livro que um dia talvez escreva