quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Complexidade do parada não poder estar


Alegria misteriosa, capacitada de uma vontade voraz, de um objectivo atingir.
Não importa ser unicolor, ou aniquilador, apenas poeta da sua alma própria.
Escrevo, porque a minha mão assim o diz.
Sinto, porque a pele assim me obriga.
Respiro, porque pulmões assim o desejam.
Penso, porque o cérebro para alguma coisa havia de servir.
Canto, porque o ritmo me envenena.
Luto, porque a teimosia assim me enfeitiçou.
Choro, porque o ciúme me descontrolou.
Riu, porque o falso se esquivou.
Voo, porque a mente ganhou asas e acreditou.
Estrutura medonha, da plenitude da arquitectura, da massa encefálica.
E o obvio cria rotina, na madrugada, da desgastada e pálida sensatez.
Suspiro pela crueldade que banha o cinzento-escuro, do fosso da pestana semi-aberta.
Rachando a maquina que nunca pára ou desiste, do objectivo.
E o objectivo, é viver da melhor maneira.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Uma anja atropelada e uma Princesa guerreira



Há dias em que simplesmente, somos quem realmente somos, mas no oposto do negativo. E coisas, marcadas há última da hora, se demonstram momentos inesquecíveis.
Assim se passa uma tarde onde uma princesa com asas nas botas, e uma anja que detesta rosa, passam um serão acolhedor e engraçado, a ver um filme, cujos actores são mais doidos do que elas, e acreditem, isso é difícil de encontrar. A devorar pipocas como se fossem as últimas existentes na Terra, até á fase das cócegas que a anja lhe faz, a guerreira, ao ver esta, baixa as armas e naqueles momentos, as gargalhadas são os únicos sons provenientes daquele cantinho de felicidade, que poucos no Mundo iram ouvir falar. Perdoa-me a comparação princesa guerreira, mas ambas parecem irmãs, sentadas naquela sala, com um frio de rachar a rir das palhaçadas, provenientes do pequeno ecrã de um computador com o teclado semi-derretido. Situação caricata, mas cheia de amizade e carinho, e num momento oportuno, apetece-me escrever algo alegre e não triste, isso facilmente acontece na companhia de uma princesa e de uma anja mais que confusa.
Um dia alguém, talvez uma gémea minha, afirmou, que o seu único objectivo é a felicidade completa, mas esta é impossível de alcançar, uma ilusão de inocentes mentes demasiado puras, que não atingem o verdadeiro sentido das coisas e não compreendem a mensagem formal do misticismo da criação de um motivo para viver.
Não existe infelicidade, apenas ausência de felicidade, e se esta fosse completa não saberíamos dar o valor hás pequenas coisas (boas) que nos acontecem, no nosso dia-a-dia e distinguir o bem do mal. A felicidade é composta por pequenos momentos de alegria, de amizade, de amor, de compreensão e esse todo é que origina a real felicidade.
E hoje aquelas duas personagens de um conto de fadas qualquer, passaram uma tarde alegre, simples, mas acima de tudo feliz.

Pensamentos e devaneios


Nota: Para quem ainda não viu o filme, não é aconselhável ler este post, com risco de estragar a surpresa do mesmo.

Há dias fui ver um filme, intitulado "Lua Nova", numa parte, já avançada do filme, Edward prestes a condenar-se, entrega-se há sorte do destino, caminha para o Sol, para assim ser condenado pelos Volturi, Bella, corre para o salvar, e impedi-lo de fazer esta loucura. Por momentos Edward fecha os olhos, e ao ouvir as palavras da sua amada pensa estar no paraíso, Bella tenta fazer com que este abra os olhos, mas este a abraça, julgando-se morto, mas acima de tudo, feliz...
A beleza da cena é indescritível, a música de fundo ajuda, mas os actores, têm uma capacidade incrível de levar a ideia de amor real, ao espectador, que arrebata o mais insensível. É dessa mesma ilusão que anseio.
Sonho com um amor assim, um amor que me leve a pensar que sou única e indispensável na vida de alguém, capaz de com um simples olhar trazer um sorriso aos seus lábios mais que doces, e um meu beijo meu tenha sabor a água, o mesmo sabor que teria caso este tivesse a morrer de sede no meio do deserto.
Sonhadora? Talvez, mas será pecado sonhar, se ao sonhar me sinto feliz e se por milésimos de segundo, os problemas desaparecem, e já não me encontro sozinha no meu quarto, já não tenho frio ou calor, tudo o que desejo se realiza, sou feliz, no meu Mundo de ilusões saudáveis, onde o que de mais misterioso em mim se revela, momentaneamente, sem aviso prévio, ou consequência negativa e nefasta. Sou divertida ou triste, tenho coragem, que ainda não vi em nenhum ser vivo, ou fujo, de alguém que quero que me persiga e me abrace com força para não fugir, luto, sem qualquer receio, amo, da maneira mais fugaz, ou carinhosa existente há face da Terra, sou querida e dona de múltiplas sensações que se fossem de verdade eu morreria, pois meu corpo não aguentaria tamanha alegria.
Mas que estou eu a dizer? Estou enganada no que digo ou redijo, são verdadeiras as sensações, mas a dor ao acordar, dói mais que qualquer punhal, enterrado no coração de frente pela pessoa que amamos.
E volto, há simplicidade mais simples de mim... E crio a real paixão por um Mundo, que ninguém pode poluir, pois é só meu, e a chave deste Mundo está escondida num poço de saudade há muito abandonado pela liberdade de querer.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Complexidade da teoria do Peter Pan




Uma rapariga, de aproximadamente 5 anos, está sentada, num poço, que dizem alguns, ser mágico, mas ela não o sabe. É bonita, Maria rapaz de aparência, usa calças de ganga larga, onde as extremidades estão sujas de lama, fruto de alguma brincadeira em poças proibidas pelos adultos, um dos joelhos está rasgado, talvez tenha subido a uma árvore para ver melhor o seu castelo de ar e vento, a camisola, também está suja, de chocolate, a gulosa, no cabelo castanho claro, tem folhas secas, próprias da estação, é o que dá andar a construir castelos de folhas, o vento não gosta, e invade seus domínios, mas, embora seu corpo mostre sinais de brincadeira, seus olhos mostram de tristeza, e uma gota grande e pesada pende dos seus olhos castanhos, e caí, sem aviso, na água límpida, mas negra do poço, eis então que…
- Porque estás triste?
Por pouco a rapariga não caía dentro do poço, ao invés disso, caí para o chão, abismada pelo que vê, uma mulher, entre os 20 e 30 anos, bastante bonita, com um vestido negro, deixando a descoberto as costas bem desenhadas, sorri-lhe, está maquilhada, nota-se os traços efeminizados, usa brincos compridos e uma bonita pulseira em prata, com uma rosa desenhada numa medalha que desta pende, tem olhos negros e cabelos castanhos-escuros.
- Quem és tu? Que me queres? – Perguntou a rapariga assustada.
- Calma, eu sou tu, mas crescida, apareci pois estás sentada no poço dos desejos, e ao deixar cair a lágrima, pediste algo, o quê?
- Nada mais senão crescer, para me respeitarem – respondeu a inocente criança.
- É normal da idade, entre vós crianças, irá sempre haver desavenças.
- Estou farta que me critiquem, nada do que eu faça está correcto.
- Toda a tua vida haverá sempre alguém irá por as tuas ideias em questão.
- As outras meninas dizem que sou diferente, que pareço um rapaz…
- Isso mudará, com o passar dos anos, ficarás tão feminina como eu e ainda mais bonita. – E a mulher de modo doce, sorriu.
- Irei viver onde? Numa casa no campo, cheia de animais para brincar?
- Não, viverás num apartamento luxuoso, no centro da cidade.
- No centro da cidade? Mas isso é muito barulhento, e está sempre confusão, ao menos terei um cão?
- Não, mas terás uma televisão maior do que tu.
- Eu não quero nenhuma televisão maior do que eu, senão não consigo chegar aos botões. Que fazes durante o dia? Brincas? Jogas com os teus amigos? Comes bolo? Vês desenhos animados o dia todo?
- Não, nós trabalhamos, o dia todo, não temos tempo para essas coisas, o trabalho é muito importante, e duro, não tenho tempo para cozinhar, tenho dinheiro suficiente para ir todos os dias a um restaurante.
- Vais a que restaurante? Ao Mec? Os outros não gosto, só gosto da comida da minha mãe, ela começou ontem a ensinar-me a fazer feijoada, mas acho que me perdi na parte da cenoura e da chouriça.
- Não, não vamos ao “Mec” mas aos restaurantes 5 estrelas, dos melhores que há, e em casa, temos máquinas que lavam a roupa, a loiça, por nós e uma empregada que nos limpa o pó da casa.
- Mas eu gosto de limpar o pó, divirto-me a andar debaixo da cama. Esses restaurantes não valem nada, paga-se um balúrdio por uma colher de puré e uma coxa de coelho que só se vê os ossos, sem falar do homem com cara de mau que se põe atrás de mim a ver se como tudo, sim porque não vejo o que esteja a fazer, a não ser isso…
- Minha querida, és tão inocente, tens tanto para apreender, e descobrir, vais crescer, e tornar-te como eu, e vais gostar.
- Vou ter liberdade, e sair com os meus amigos todos, e como tenho uma casa assim tão boa, convido-os a viverem todos comigo, e assim seremos felizes para sempre, e faremos farras todos os dias. – ao dizer isto a criança sorria, de uma maneira inexplicável.
- Mas tens que trabalhar, não podes ter farras todos os dias.
- Hum está bem, fazemos só aos fim-de-semanas.
- Mas mesmo assim eu tenho a minha vida, a minha casa está organizada, não posso levar essa gente toda para lá…
- Está bem, eu resolvo o problema, eles ficam no quintal, sim porque se tu és eu, temos de ter um quintal, constrói-se uma enorme cabana, e depois subimos á árvore e cantamos como se fossemos macacos.
- Estás doida? Pareces uma selvagem, claro que não, quintal? Mandei destruir para construir uma garagem. Alem disso, tenho de tratar do meu menino.
- Menino? – Os olhos dela iluminaram-se – tens um bebé? Como se chama? E o pai? É aquele rapaz do segundo ano da turma do Henrique? Eu gosto dele vai para uma semana e meia, nunca gostei de alguém tanto tempo.
- Aí miúda, tu dás cabo de mim, já não me ria tanto, há imenso tempo. O meu menino é o meu BMW, percebeste? E quanto ao pai? Meu Deus tenho mais que fazer do que me amarrar a um homem, são piores do que crianças, a maioria só se quer aproveitar de ti. O que fazemos, é seduzi-los e depois divertimo-nos com a capacidade inofensiva que cada um para se arrastar aos nossos pés, e quando nos cansarmos, mudamos de número de telemóvel. Já agora, que roupa é essa? Credo agora que reparo, os teus cabelos estão tão desgrenhados, pareces um rapaz a falar e estás toda suja, já não me lembrava de andar vestida assim. Porque andas assim? Não tens vergonha, é normal que nenhum rapaz goste de ti…
- Prefiro ser assim a ser igual a ti.
- O quê? O que estás a dizer? Miúda insolente.
- Posso não ter as tuas jóias, mas não penso como tu.
- Ah? Explica-te, o que queres dizer?
- Prefiro ser criança, para sempre, e não crescer. Prefiro ficar assim, a ser como tu, és fútil, não tens cão, és aborrecida, bonita, mas egoísta, só pensas em ti, apenas vives para o trabalho, és adepta do menor esforço, e duvido muito que tenhas amigos.
-É claro que tenho amigos, isso nem se pergunta.
-Quem? Nomeia-mos!
- Bem, tenho o… a… quer dizer… assim de repente… hum… dá-me tempo… eu vou me lembrar… mas…
- Vês? Esqueceste-te da quão aventureira podes ser, da adrenalina que sentes quando sobes a uma árvore, do sabor do vento, da água que acaricia a tua pele, de um por do Sol ao lado dos teus amigos, eu não quero crescer, quero ficar assim, e ser feliz, com a minha inocência, com a minha ignorância, mas continuar a ser divertida.
- Não faças isso, não sabes o que vais perder, o Mundo fantástico ao teu redor, onde tudo o que desejas se realiza, posso não ter amigos mas tenho o resto, nada material me falta.
- Tudo o que desejo é ser feliz, e tu alteras-te esse sonho, tu és uma mulher sem sonhos, tenho pena de ti de que serve ter tudo o que desejas se nem tempo tens para o gozar, de que serve ter uma casa luxuosa senão a podes dividir com ninguém, não quero crescer, mas se crescer de certeza que não vou ser como tu...
E com isto a menina foi embora, correu para os amigos que a procuravam, a mulher caiu no chão e as lágrimas correram, correram de tal modo, que dali se fez a fonte do poço.
A menina cresceu, mas optou pelo mesmo caminho com ideias diferentes, não perdeu os amigos, teve 3 bonitos filhos e foi feliz, e um dia, um dia destes, visitou a fonte, mas esse texto, é uma outra história… :)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Um sonho de madrugada

Um dia com um número qualquer, num mês a definir, eu, de vestido branco, ou de outra cor qualquer, vou passear na madrugada de amor, e caminhar, sobre uma calçada de olhos vendados, em busca de algo que não pode ser visto, ou ouvido...
Vai aparecer, uma figura masculina, cujo o nome começa por uma letra do abecedário, que tenho um olhar puro, e que me goste da maneira que sou, que me deixe o amar e depois durante o dia namoremos, como se crianças fossemos, sorrisos inocentes soltemos, não digamos palavras, apenas nos olhemos, pois um olhar vale mais que mil palavras. Entrelacemos as mãos, encostemos as testas, observamos o pôr do Sol...sentados na areia quente, que aquece nossos corpos. E quando estiver no pico da alegria, vais-te, viras as costas, sem uma palavra dizer, sem desculpa aparente, ou a que dizes é tão pouco elaborada, que mete dó, só de ouvir. Fico só, no paredão que entra no mar, o mar balança-me o vestido de forma a animar-me. Corro sem parar, as lágrimas secam no vento que passa, estou no cimo de uma falésia, e quando o ultimo raio de Sol, se despede das faces minhas eu despeço me do Mundo, sem uma única palavra. E entrego-me de olhos fechados.
Acordo não sei bem onde, num lugar não muito longe, confortável e acolhedor.
Uma princesa guerreira ouve meus lamentos, e dá-me sermões se preciso.
Um elfo brincalhão, portista ferrenho, faz-me cócegas só para que me ria.
Sem falar do pai Natal, que me leva a enfeitar a minha primeira árvore de Natal.
Sinto-me feliz, contente, e finalmente sinto que faço parte de um grupo de amigos.
Estou forte, e já nem me lembro do que sofri, ou prefiro não me lembrar, modifico o pensamento negativo, e começo-me a sentir um pouco mais bonita. Estou diferente antigos amigos já não me reconhecem, sinto-me bem, com uma nova força em mim.
Eis então que tu apareces, no meio de uma avenida qualquer, chove, sem parar, gotas grandes e fortes, encharcam meu vestido branco, abraças-me, prometes-me amor eterno, e dizes que tudo não passou de um mal entendido, beijas-me, e eu deixo-me levar, e no momento em que estás prestes a salvar o que ainda resta, faço algo. Afasto-me, o vestido está colado ao corpo e mostra as formas que não devia mostrar, viro as costas e faço-me de forte, tu estúpido, não compreendes que se correres atrás de mim, e voltares-me a envolver nos teus braços, as minhas resistências caíram por terra e eu serei novamente tua, mas tu não vens, talvez seja melhor. Ao virar a esquina fora do teu alcance de visão, morro no chão, a dor corrói-me o coração, que sempre foi teu, choro em demasia o ar não me entra, asfixio, mas por falta de coragem, para te dizer o que mereces.
Aparecem de novo meus amigos, levantam-me, secam-me as lágrimas, e fazem-me sorrir.
E nesta etapa do meu sonho, acordo vou para escola e reencontro os meus amigos.
Foi um bom sonho, cansativo, mas um bom sonho, é pena não ser excelente...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Consequência da Beleza súbita

A consequência da beleza súbita é o interesse desinteressante de alguém, que perante outrem que mal conhece, mas que tenta tudo fazer para travar conhecimento com aquela imagem atraente, e não com a mente, que habita o cabide do cabelo. É original quem se apresenta com o argumento de não querer apenas travar diálogo com aquela mesma pessoa apenas pela roupa demasiado curta ou pela quantidade de maquilhagem que usa, mas sim pelo desejo de a conhecer interiormente. Acho mais impressionante ainda quem acredita nisso, crianças (grandes) inocentes, parai de olhar os saltos altos e observai quem apenas vos olha e não contempla.
Abusivo é a incompreensão ridícula de quem se acha superior apenas por ter o cabelo de um loiro oxigenado, ou por ter 50 cêntimos a mais na carteira, ou ainda melhor por fumar, esse é o melhor, acha-se chique apenas por saber manejar algo que apenas serve para:
1-Gastar dinheiro desnecessariamente.
2-Ter como principal objectivo ganhar um cancro nos pulmões.
3-E a maravilha de ficar com um hálito e cheiro na roupa nada agradáveis.

Cresçam, a sério, já tendes idade para tal.
Olhai mais para o interior e não tanto para o exterior.
Pois daqui a alguns anos é isso que vai contar, acreditem é o melhor a fazer!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Fugir

Estou sentada, sobre um muro íngreme, com uma vista simplesmente fabulosa, para variar é o rio, e a ponte mais bonita (ou uma das mais) do Porto. Estou no Palácio, sozinha, olhando e observando, algo que nunca me cansa, desfruto simplesmente, pelo prazer de ver, e nada mais. Sem segundas intenções que não estejam a descoberto.
Acreditem, cansa tantas frases indirectas. Sejam francos credo. Digam o que vos vai na alma, assim como eu, pouco ou nada querendo saber a cerca do que outro vai ou não gostar, daquilo que anti-senso comum se apresenta, uma realidade abstracta, que simplesmente anseia por se sentir liberta. Sou franca, digo o que penso e por vezes posso até magoar quem me rodeia, mas sou verdadeira e não minto... isso podeis vós amigos e conhecidos, inimigos e desconhecidos, contar com essa parte minha...

Não vou fugir da verdade, apenas para agradar outrem... Não, cansei de fugir, para não magoar quem merece, e o meu consciente assim merece, a captação do perfume que comanda a vida... Esta sou eu. Simplesmente simples.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Um sonho

Um dia enviaram-me um mail com a seguinte mensagem:

"Uma Rapariga perguntou a um Rapaz se ele a achava bonita, ele disse...não. Ela perguntou se ele queria ficar com ela para a eternidade....e, ele disse não. Então ela perguntou-lhe, se ela se fosse embora, se ele iria chorar, e mais uma vez ele respondeu com um não. Ela já tinha ouvido demais. Assim, quando estava a ir embora, lágrimas caíam da sua face, o rapaz agarrou seu braço e disse... Tu não és bonita: És linda. Eu não quero ficar contigo para sempre. Eu PRECISO de ficar contigo para sempre. Eu não iria chorar se tu fosses embora...eu iria morrer..."

Estupidamente comoveu-me, fiquei sem palavras, ou as que fiquei puseram de uma maneira tão carente que me sinto revoltada só de pensar como esta mensagem me deixou...
Será possível que algum rapaz me diga isto, algum dia?
Que tenha sensibilidade suficiente para tal?
Mas acima de tudo que sinta o que está a dizer, e que a minha pessoa tenha tal importância para alguém.

Era um sonho, um sonho bom, mas nem essa sorte tenho eu, sonhos? Há muito que os bons fugiram de mim, ainda mais na realidade, tornam-se pequenos fantasmas que habitam o sótão da inconsciência.

Mas é tão bom sonhar, sentimo-nos livres, para voar, ser aquele alguém que no quotidiano da vida não podemos ser, pois corremos o risco de ser colocados de parte pela sociedade.
É este o nosso dilema, fingir para ser aceite. E quem o tentar revelar é igualmente posto de parte, acho espectacular a solidariedade presente na mente demente destes seres que são (mas não deviam ser) os donos do topo da cadeia alimentar.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Fantasia

Escrevo, para me sentir livre, sem ninguém ao lado para me dizer o que devo ou não fazer.
Ligo a música, entro no meu Mundo; é apenas meu, ninguém entra, e tenho total controlo sobre os meus pensamentos, tudo o que desejo se realiza, e nada nem ninguém me pode impedir de o fazer. Sou dona de mim própria, e naquele instante de milésimo de segundo, não há olhares curiosos e absurdos a incriminar-me das minhas ideias anti-senso comum.
Estúpida civilização, consumiu esta Natureza, que é o que de melhor temos, e até isso destróiem...
Depois criticam quem tenta fazer a diferença, por dizerem as verdades na cara, acho impressionante a capacidade de hipocrisia que deambula nas estradas da falsidade que faz esquina com a crueldade e imbecilidade existentes na superfície da corcunda remota da ignorância!

Estupidez

Acredito em ti,
pois para mim,
és uma amuleto em cetim,
que nunca tem fim,
que nunca se esquece de mim,
que me imagina numa flor de jasmim.

Pensar e conhecer,
Imaginar-te e não te ter,
lembrar-te e não te ver,
querer alcançar-te sem poder,
sonhar e não saber,
chorar para esquecer,
a lembrança daquele ser,
que me ama e não crê.

Porquê este sufocar?
Este sentir e não dar,
este desejo de te amar,
e o teu falso acreditar,
do teu inconsciente olhar,
que me leva a sonhar,
algo que dificilmente se realizará.
E neste desejar,
penso nos teus olhos cor de mar,
no teu sorriso de encantar,
na tua face por barbear,
nas tuas sapatilhas por descalçar,
no teu cabelo por despentear,
e…nos teus lábios por beijar…

***

Paixão perdida

Fraga partida,
pena quebrada,
luz alusiva,
coração destroçado.

Dor faminta,
desmedida paixão.
Mas a cor acredita,
na obscura imensidão.

Lastro raso,
mastro partido.
É dado o azo,
a ele caído.

Ansiedade sôfrega,
compaixão guerreada.
Descontrolada e sórdida,
como uma fachada.

Frase inacabada,
felicidade esquecida.
Alma destroçada,
visão destorcida.

Quero encarar,
o teu eu repugnante.
Mas meu olhar,
encontra-se distante.

Falta de coragem,
exagero de cobardia.
E na miragem,
A esquecida maresia.

***

Explica-me como o Mundo Funciona!

Na obscuridade da vida,
na penumbra da noite,
tento perceber como é fatídica,
esta esperança tipo ponte.

Tento compreender o incompreensível.
Acreditar no inacreditável.
Como é complicado esta simples vida,
como é desnecessário ser estável.

Aparência de anjo,
astúcia de serpente.
E como invejável é,
a incapacidade do inocente.

Nas entrelinhas do destino,
nas passadas da vida.
Como é ingrato este caminho,
sendo a desgraça comprometida.

Tentativa de frustração,
incompreensão credível.
A falta de comunicação,
que torna a vida inesquecível.

Ás portas da vida larga,
a infelicidade esquecida,
é lembrada em larga escala,
devido a moça caída.

Momento obsceno,
de carinho ultrajado.
Olhar transcendente,
de um destino ultrapassado.

***

A bela donzela e o Cavaleiro sem armadura

A bela donzela,
Apaixonada estava,
Por medo ou cobardia,
Não aceitava o que sentia.

Oh fascinada demente,
Não vês que estas inconsciente,
E no deleito do teu enganar,
Não demonstras o teu amar.

O sorriso inquieto,
De quem tudo te quer
Do mundo incerto,
Apenas te querer e não poder ter.

O cavaleiro sem armadura,
Dos tempos modernos,
Não escapa a ternura,
Dos teus olhos castanhos.

O teu receio de encarar,
Este sentimento tão bom de dar,
Que acompanha o teu triste estar,
Da força de esconder o amar.

Oh donzela rainha,
Por não ter armadura,
E sem o escudo da tua ternura,
lhe feriste o coração.

Ele ofereceu-te o coração,
E tu caprichosa do não,
Incapaz de um gesto de paixão,
Lhe partiste o coração.

Indignado e frustrado,
Com o órgão em pedaços,
A inocência de cuidar,
Do obscuro paladar.

De acordo com que diz,
Ela todos os sinais lhe dera,
Mas o destino infeliz,
Velos juntos não ponderam.

A grande amizade os une,
Num dueto de três canções,
Mas ela é imune,
As suas preocupações.

Oh donzela difícil,
Não vez que ele e tão fácil,
Deixa de fazer amuo
E vem sentir este sentido único.

Os saltos altos de donzela,
E os cascos de cavalo,
Fazem desta muito bela,
Na incompreensão do estado.

O fascinado do fascinador,
Que não usa o detector,
Do sentimento que e o amor,
Deste complexo pecador.

A fantasia do desejar,
O porque desta não dar,
Ao cavaleiro o amar
O sentir e gostar.

Ri-se por entre cabelos,
O sorriso sóbrio da adolescência,
Incapaz de objectivar os lados,
Do olhar de indecência.

O amor que despultara,
Da estúpida sensatez,
O olhar cru invejara,
Da mórbida rapidez.

Ele calado e ambíguo,
Fornecera a liberdade,
Do ilustre abismo,
Que fornecera a grandiosidade.

Ela ama-o,
Será que sabe,
Será que esconde a verdade,
Desta falsa falsidade.

A incompreensão esbaforida,
Não olha ao objectivo,
Do caminho com ida,
Que raramente é contida.

Furiosa no silêncio,
Da madrugada do desconhecido,
O amor é imenso,
Mas só um e admitido.

Difícil é acreditar,
O meio de dar,
Ao falecido escutar,
A sombra do seu olhar.

A complicação do arreliar,
O estratagema de entender,
A credibilidade em encarar,
O furor de gostar.

Os brincos de esmeralda,
A instituição em alta,
De não depende o sentimento,
Do inútil conhecimento.

Oh mágoa inglesa,
Da profundo frieza,
Da escusada demência,
Da complicada essência.

Amor cruel,
De confuso entendimento,
Ele esmagado pelo cordel,
Do estúpido sentimento.

Chorar interiormente,
O espantalho dormente,
Do futuro de aparecer,
Este oculto parecer.

Rir-se engasgado,
De fácil transparência,
No fundo magoado,
Pela inculta assistência.

O sonho de dormir,
Nos braços doces e fracos,
Do sorriso e explodir,
Da perpetua dos fados.

Olhar, escutar, gostar,
Pensar, cantar, apaixonar,
Romancear, andar, adivinhar,
Abraçar, pensar, dançar,
Lembrar, encantar, deslumbrar,
E por fim te amar.

***

Quantas vezes?

Quantas vezes não olhei para trás,
e vi-me só, na crueldade,
lembrando a memória sagaz,
que não corresponde à realidade.

Quantas vezes não amei,
não sonhei e desesperei,
apenas por um sorriso teu,
que até agora não fora meu.

Quantas vezes ganhei asas,
com risadas despegadas,
que formam doces canções,
como um amontoado de harpas.

Quantas vezes me emocionei,
só de olhar teus olhos achei,
que parar iria meu coração,
partido na palma da mão.

Quantas vezes me odiei,
a desgraça que estudei
porque em segredo te amei,
no puro pecado me apaixonei,
e sozinha assim fiquei.

Quantas vezes falei sozinha,
de um canto abandonada,
lágrimas na face minha,
choravam a falsa hipocrisia.

Quantas vezes não parei,
e assim me virei,
esperançada que ali estivesses,
e com teus braços me rodeasses.

Quantas vezes não pensei,
que eu tudo te dei,
e quando mais precisava,
sumiste do mapa.

Quantas vezes, diz-me,
não te lembraste de mim,
na tortura eu me fiz,
pela ausência do teu sim!

Quantas vezes sonhei,
com um carinho teu,
mas sempre amuei,
pois não te lembras do que era meu.

Quantas vezes chorei,
E em vão assim fiquei,
Com a dor de uma traição,
De um Mundo de confusão.

Quantas vezes me esperanças-te,
com falsas esperanças,
no jogo que não jogaste
numa mascara cheia de manchas.

Quantas vezes me usas-te,
sem dor e com arte,
num teatro que inventas-te,
no perpétuo passado que traçaste.

Quantas vezes me mentiste,
com falsidade mascarada,
sozinho dormiste,
no fio da espada.

Quantas vezes caminhei,
ao teu lado de mão dada,
em sorrisos me perdia,
como uma garota mimada.

Quantas vezes imaginei,
que contigo ficaria,
e assim eu tracei,
um futuro que me sorria.

Quantas vezes te apoiei,
sem pensar duas vezes,
jamais contestei,
uma fala tua.

Quantas vezes entristeci,
com ciúme inocente,
e na fúria em que vivi,
amei teu corpo e mente.

Quantas vezes te pedia,
para me tratares de outra forma,
as tuas palavras não media,
e na minha mágoa permanecia.

Quantas vezes não escutavas,
um concelho de amiga,
ocupado sempre estavas,
e esquecias de quem sentia.

Quantas vezes sentiste falta,
das minhas piadas sem graça,
do meu humor em alta,
do lado oposto da farsa.

Quantas vezes me disseste,
que me adoravas com calor,
e no inverno do teu humor,
eu te aquecia como se contente estivesse.

Quantas vezes me sorriste,
enganadoramente traiçoeiro,
mas por vezes o destino exige,
um carinho teu primeiro.

Quantas vezes me trocavas,
por uma companhia exterior,
que mais tarde ou cedo,
te traia com falso amor.

Quantas vezes sentada na praia,
imaginava com amor,
os momentos bem passados,
livres de qualquer pecado mor.

Quantas vezes inocentemente,
eu te seguia sem perguntar,
o porquê de nunca estares,
quando mais precisava que ficasses.

Quantas vezes te esquecias,
da minha ilustre presença,
e naquele momento pendia,
a tua inconsciência tensa.

Quantas vezes te falei,
do mais puro de antemão,
e tu incrédulo ameaçavas,
a possível separação.

Quantas vezes me avisaram,
que tu nada valias,
e na completa eloquência ,
eu tudo (sempre) te daria.

Quantas vezes me assustaste,
com supostas partidas,
e os segredos deixaste,
no fundo da vida.


Quantas vezes me perguntei,
porque tanto sofria,
e na esperança em que te amei,
descobri que meu coração assim o queria.

Quantas vezes eu fúria,
era capaz de te bater,
e com uma simples palavra,
fazias meu coração se enternecer.

Quantas vezes na consciência,
daquilo que julgava saber,
resguardavas-te da tua essência,
do amor no meu entender.

Quantos vezes sufocada,
gritava no silêncio,
da ilustre madrugada,
o cheiro forte a incenso.

Quantas vezes me confundi,
com aquilo que sentia,
mas estrategicamente assim,
eu com receio não te dizia.


Quantas vezes e por fim,
desejei te dizer adeus,
mas na cobardia (amor) que existe em mim,
jamais o conseguirei fazer.

***
(mas isso foi passado)